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Sacre Investimentos
Economia
05/08/2026
3 min

Por que o Copom deve cortar a Selic para 14% e qual o espaço para novas reduções, segundo BTG

Banco projeta cortes de 0,25 ponto percentual em agosto e setembro, mas vê risco de interrupção do ciclo em caso de piora do câmbio ou das expectativas de inflação

Por que o Copom deve cortar a Selic para 14% e qual o espaço para novas reduções, segundo BTG

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir nesta quarta-feira, 5, a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em linha com a expectativa amplamente majoritária do mercado.

Para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a decisão desta quarta deve "dar continuidade ao processo de calibração iniciado em junho, preservando uma comunicação cautelosa e dependente dos dados".

O relatório, assinado pelos analistas Álvaro Frasson, Arthur Mota, Gabriel Fongaro, Lorena Laudares e Victor Amaral, da área de Macro Strategy, estratégia macroeconômica, do BTG Pactual, projeta um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião e vê espaço para mais uma redução de mesma magnitude em setembro. Com isso, a taxa básica encerraria 2026 em 13,75% ao ano.

A projeção está alinhada ao consenso do mercado. Segundo os contratos de Opções de Copom da B3, cerca de 95% dos investidores apostam em um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião. O Boletim Focus também passou a indicar uma Selic de 13,75% ao fim de 2026, refletindo a expectativa de continuidade do processo de redução dos juros.

Para o BTG, o cenário ficou mais favorável desde a última reunião do Copom. Os analistas afirmam que "as surpresas baixistas no comércio e nos serviços reforçam os sinais de desaceleração da atividade", enquanto os últimos indicadores de inflação também apresentaram resultados mais benignos.

O IPCA de junho e o IPCA-15 de julho, que vieram abaixo das expectativas, inclusive em componentes relevantes como serviços, bens industriais e alimentos.

O banco também aponta uma melhora no ambiente externo. A queda dos preços do petróleo, a valorização do real e a redução dos riscos geopolíticos envolvendo o Estreito de Ormuz contribuíram para reduzir as pressões inflacionárias e fortalecer a avaliação de que as projeções do próprio Banco Central ainda são compatíveis com uma redução adicional da taxa básica.

Na avaliação do BTG, esse conjunto de fatores sustenta um novo corte da Selic em setembro, desde que o cenário econômico continue evoluindo de forma favorável.

Por que o BTG vê espaço limitado para novas reduções

Apesar da melhora dos indicadores, o banco afirma que o espaço para flexibilizar a política monetária continua restrito. O mercado de trabalho permanece aquecido, o hiato do produto ainda é positivo e as expectativas de inflação seguem acima da meta perseguida pelo Banco Central.

O relatório também destaca riscos que podem alterar esse cenário. Entre eles estão os impactos do El Niño sobre os preços de alimentos, as incertezas fiscais e eleitorais e uma eventual retomada da alta dos juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. Nesse caso, a redução do diferencial de juros poderia pressionar o câmbio e dificultar o controle da inflação.

Por isso, os analistas do banco esperam cortes graduais de 0,25 ponto percentual em agosto e setembro, mas avaliam que uma deterioração relevante do câmbio ou das expectativas de inflação pode levar o Copom a interromper o processo antes do previsto.
AutorAndré Martins
FonteExame
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