Por que o dólar está caindo hoje? Inflação nos EUA muda humor no mercado
Dados mais fracos de inflação e PIB nos EUA enfraquecem o dólar e impulsionam o real nesta quinta

O dólar opera em queda nesta quinta-feira, 30, e na faixa comercial voltou ao valor de R$ 5,07, acompanhando um movimento global de enfraquecimento da moeda após novos dados da economia dos Estados Unidos reforçarem a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) não precise voltar a elevar os juros no curto prazo.
O Índice do Dólar (DXY), que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de moedas fortes, também recuava 0,89%, aos 99,92 pontos, enquanto o dólar à vista caía 0,66%, para R$ 5,0741.
A principal mudança de humor veio da divulgação de indicadores que mostraram uma desaceleração da economia americana. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu 1,5% no segundo trimestre, abaixo da expectativa de 2,1%.
Ao mesmo tempo, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), uma das principais medidas da inflação no Fed, mostrou uma leitura mais moderada, reduzindo a pressão para um novo aperto monetário.
"Esse conjunto reduz, pelo menos momentaneamente, a pressão para que o Federal Reserve volte a subir os juros e provoca uma venda global de dólares", de acordo com o diretor de Câmbio da Ourominas, Elson Gusmão.
Queda do DXY favorece moedas emergentes
A desvalorização do dólar também ganhou intensidade com suspeitas de que o governo japonês voltou a atuar no mercado cambial para conter a desvalorização do iene, que está no menor patamar frente à moeda americana nos últimos 40 anos.
A possível venda de dólares pressionou ainda mais o DXY e ampliou o movimento de fortalecimento de moedas emergentes, incluindo o real. Para a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, esse efeito acabou beneficiando diretamente países como o Brasil.
"A provável venda maciça de dólares pelo Japão para conter a queda do iene pressionou fortemente para baixo o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de moedas fortes, gerando um efeito cascata de liquidez que beneficia diretamente as divisas de países emergentes", relatou.
Cenário brasileiro também ajuda o real
Além do ambiente externo, fatores domésticos reforçaram o movimento de valorização da moeda brasileira. Nesta quinta-feira, 30, o mercado repercute a queda da taxa de desemprego para 5,4% no segundo trimestre e o recuo de 1,16% do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em julho.
Para Gusmão, o cenário brasileiro complementa o movimento observado no exterior. "O dólar próximo de R$ 5,07 reflete três forças atuando juntas: dólar mais fraco no mundo, dados domésticos favoráveis e entrada de recursos em ativos brasileiros", detalhou em entrevista à EXAME.
Outro ponto que sustenta o real é o diferencial de juros entre Brasil e EUA. Já que, mesmo com a manutenção da taxa americana entre 3,50% e 3,75% na última decisão do Fed na quarta-feira, 29, o Brasil continua oferecendo rendimentos significativamente maiores.
Vale, Ibovespa e petróleo entram no radar
O mercado também acompanha a temporada de balanços corporativos, com expectativa pelos resultados da Vale após o fechamento da B3. Nossig destaca, além disso, que a correção recente do petróleo também melhora o ambiente para os mercados.
"O movimento favorável ao real ganha tração extra com o alívio nas cotações do petróleo, que passam por uma correção após a disparada recente motivada pelas tensões no Oriente Médio, amenizando os receios sobre a inflação global", esclareceu em fala à EXAME.
No entanto, apesar da queda expressiva da moeda americana nesta sessão, as fontes alertam que ainda é cedo para interpretar o movimento como uma tendência definitiva."A queda de hoje é relevante, mas não significa que o investidor deva abandonar a diversificação internacional. Dolarizar e investir globalmente é uma estratégia patrimonial de longo prazo, e não uma aposta sobre a cotação do dólar amanhã", acrescentou Gusmão.
