Por que o Estreito de Ormuz deverá perder importância nos próximos anos

A circulação de navios no Estreito de Ormuz, que se tornou um ponto central da disputa entre os Estados Unidos e o Irã, deverá cair nos próximos meses e dificilmente retornará aos níveis anteriores à guerra, pois novas alternativas estão sendo construídas.
"Embora seja improvável que os EUA retomem os bombardeios em larga escala contra o Irã nos moldes da guerra de março, o cenário atual desestimulará a navegação no Estreito de Ormuz", diz uma análise da Eurasia Group.
A consultoria prevê que o volume cairá de 30-50% dos fluxos pré-guerra para 5-15% até que ambos os lados cheguem a um acordo para conter os ataques. Com isso, os preços do petróleo deverão se manter em uma faixa mais alta, entre US$ 75 e US$ 95, devido à interrupção.
"Uma rápida desescalada parece improvável, dado o comprometimento de ambos os lados com suas posições, e um ambiente de tensões elevadas e tráfego reduzido no Estreito de Ormuz provavelmente persistirá durante todo o mês de julho", avalia a Eurasia.
A Eurasia avalia que os produtores de petróleo da região deverão seguir buscando rotas alternativas, para evitar riscos ao exportar cargas pelo estreito.
"Mesmo quando o estreito for totalmente reaberto, é improvável que o volume de tráfego marítimo retorne ao seu nível pré-guerra, de 100 a 125 trânsitos diários. A longo prazo, a partir de 2028, o tráfego em Ormuz provavelmente diminuirá ainda mais devido à construção de novos oleodutos e linhas portuárias e ferroviárias que contornam Ormuz", afirma a Eurasia.
Entre os projetos em construção, há iniciativas nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita, no Iraque e na Síria.
Entenda a crise atual em Ormuz
Desde a semana passada, os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã, colocando fim a um cessar-fogo alcançado em julho. Os americanos dizem que os iranianos estavam atacando navios que passavam por Ormuz, e que os ataques visam reabrir a circulação na rota, por onde passava um quinto da produção global de petróleo antes da crise atual.
Os americanos dizem ter como principal objetivo impedir que os iranianos obtenham uma bomba nuclear, e fizeram uma série de ataques ao país desde o ano passado para destruir a capacidade militar do país. Em resposta, o Irã atacou bases americanas em países do Oriente Médio, como Catar e Emirados Árabes, e bloqueou a circulação no Estreito de Ormuz, com ataques esporádicos a navios.
Nesta segunda-feira, 13, o presidente Donald Trump disse que os EUA assumiriam o controle de Ormuz e, em seguida, passariam a cobrar uma tarifa de 20% sobre o valor da carga dos navios que circulassem por ali.
Irã deve manter posição
A Eurásia considera que o Irã deverá continuar tentando manter sua posição de controle de Ormuz para ter mais força nas negociações com os EUA.
"O objetivo final do Irã é um novo status quo no Estreito, no qual sua influência sobre o tráfego marítimo seja reconhecida. O país também pretende arrecadar receitas, de alguma forma, por sua posição no estreito", diz a Eurasia.
"Os ataques dos EUA contra alvos militares no Irã, e até mesmo a reimposição do bloqueio [dos EUA contra o Irã], provavelmente são vistos como um custo aceitável para a concretização dessa ambição — a tolerância à dor e a disposição da liderança do regime em tolerar riscos permanecem elevadas", prossegue a análise.
