Por que o Ibovespa salta 17 mil pontos e alcança os inéditos 209 mil pontos após o 1º turno das eleições nesta segunda (5)
O Ibovespa (IBOV), o principal índice da bolsa brasileira, superou a marca de 200 mil pontos e atingiu os inéditos 209 mil pontos, depois do primeiro turno das eleições. Diferentemente do apontado pelas pesquisas de intenção de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve mais de 47% dos votos válidos, enquanto o atual presidente, Luiz […]

O Ibovespa (IBOV), o principal índice da bolsa brasileira, superou a marca de 200 mil pontos e atingiu os inéditos 209 mil pontos, depois do primeiro turno das eleições.
Diferentemente do apontado pelas pesquisas de intenção de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve mais de 47% dos votos válidos, enquanto o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obteve 45% dos votos.
Na máxima, o Ibovespa disparou 9,10%, aos 209.605,70 pontos. Por volta das 12h37 (horário de Brasília), o IBOV subia 8,51%, aos 208.455,03 pontos.
Na avaliação dos investidores, uma alternância de poder para a direita poderia resultar em um ajuste fiscal crível, o que favoreceria cortes na taxa Selic e impulsionaria o Ibovespa, enquanto os juros e o dólar recuariam.
De acordo com Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, a forte alta de hoje do Ibovespa é uma reprecificação do risco Brasil depois da surpresa das urnas.
“E não é só Bolsa: o dólar cai mais de 4% e a curva de juros fecha perto de 100 pontos em alguns vencimentos. O mercado está reduzindo custo de capital, o que beneficia principalmente empresas domésticas e sensíveis a juros”, explica Lemos.
Ele destaca que ainda existe espaço de valuation: antes da eleição, o Ibovespa negociava perto de 10 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica. “O lucro das empresas não mudou de ontem para hoje. O que mudou foi o preço que o investidor exige para correr o risco Brasil”, afirma.
Na mesma linha, a estrategista de ações da Nomad Rebecca Nossig afirma que o salto do Ibovespa reflete uma “forte reação” ao desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais.
“Logo nos primeiros negócios do dia, os investidores demonstraram um otimismo com o cenário político, promovendo um intenso movimento de reprecificação dos ativos locais em meio ao fluxo de notícias”, afirma.
O economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, airma que o otimismo da Bolsa também reflete essa combinação de queda da curva de juros com queda de 8%, enquanto o dólar recua mais de 4%. “Não me lembro de ver um movimento dessa magnitude”, diz.
Na avaliação de Bertotti, o mercado nas últimas semanas já vinha precificando um aumento significativo de posicionamento em operações de compra com vencimento até pós-primeiro turno das eleições, com um resultado muito diferente do apontado pelas pesquisas.
“Tivemos uma composição de Senado e Câmara dos Deputados também muito nessa linha de oposição da direita, o que favorece a tomada de risco. Então, o mercado está absorvendo isso muito bem”, afirma.
Para Bertotti, a pauta das próximas semanas deve ser o fiscal, com os investidores esperando maior detalhamento sobre os planos de Flávio para realizar um ajuste crível das contas públicas.
A alta de agora, com o Ibovespa superando os 200 mil pontos pela primeira vez, é mais uma “euforia” do mercado com um possível governo de direita mais fiscalista, do que com um plano econômico concreto, além do estrangeiro buscando “ganhar” com papéis desvalorizados.
“É um maior detalhamento do plano fiscal que vai sustentar uma valorização do Ibovespa, na minha opinião. Pegamos a B3 por exemplo subindo muito forte, mais de 25%. Isso também é a possibilidade de uma expectativa de novos IPOs e novas empresas entrando na bolsa”, detalha o economista.
Se esse cenário se confirmar, Bertotti considera que a bolsa deve manter esse ímpeto de fôlego.
Altas e baixas do Ibovespa
Lemos, da Fatorial, destaca que o movimento observado hoje reduz o custo de capital e beneficia principalmente bancos, varejo, construtoras, locadoras e empresas mais alavancadas.
Na mesma linha, Bertotti, da Fami Capital, considera que os ativos cíclicos e bancos vêm performando bem no pregão de hoje, enquanto a ponta negativa é de empresas com a receita em dólar.
Hoje, a ponta positiva do Ibovespa é liderada pelo BTG Pactual (BPAC11), com disparada de 27,42% (R$ 84,12). Na sequência, aparece a varejista Magazine Luiza (MGLU3), com salto de 25,89% (R$ 9,58) e a B3 (B3SA3), com ganho de 25,32% (R$ 23,81), por volta das 12h11 (horário de Brasília).
Segundo Lemos, BPAC11 é beneficiado pela melhora do mercado de capitais. “Se o risco Brasil cai, os juros longos fecham e a bolsa sobe, aumenta a expectativa de mais volume, emissões, M&A, gestão de recursos e atividade de trading. Por isso o BPAC11 pode reagir muito mais que um banco tradicional”, afirma.
No mesmo horário, lideravam a ponta negativa do índice Suzano (SUZB3), com baixa de 5,12% (R$ 42,08), e Embraer (EMBJ3), com queda de 4,57% (R$ 93,76). Ambas, por serem exportadoras, não são beneficiadas por um cenário de desavalorização do dólar ante o real.
Dólar à vista
O dólar à vista destoa do movimento global do dólar, que avança diante da pressão dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries. Na mínima, o dólar recuou 5,03%, a R$ 4,9540.
Por volta das 12h34 (horário de Brasília), a taxa de câmbio operava a R$ 4,9926 (-4,26%). Já o DXY, uma cesta que compara o dólar a outras seis moedas fortes, como euro e iene, subia 0,25%, aos 102.185 pontos.
