Por que o novo agente ‘universal’ do Google, o Gemini, leva vantagem sobre o Muse e os Dots
Google, OpenAI e Meta lançam assistentes que trabalham sozinhos e levam ao board a questão de quem responde por eles

O Google apresentou o Gemini agent, que a empresa chama de “agente universal para o trabalho”. Com um único comando, o sistema planeja tarefas, responde perguntas, produz documentos, escreve e executa códigos e entrega o resultado nos aplicativos que a equipe já usa.
Ele funciona dentro do Gmail, do Docs, do Sheets e das demais ferramentas do Google Workspace, além de se conectar a sistemas de terceiros, como o Slack.
O lançamento tem um detalhe que interessa à alta liderança. Segundo a revista americana Inc., as equipes poderão criar um “agente colega de trabalho” com endereço de e-mail, agenda e pasta de arquivos próprios.
Como roda na nuvem, ele continua trabalhando depois que o funcionário desliga o computador. Segundo o site 9to5Google, especializado na empresa, as tarefas mais longas podem durar horas ou dias.
O agente está em fase de testes com um grupo restrito de clientes, e o Google promete liberá-lo em breve para planos empresariais do Workspace. Mesmo antes disso, o anúncio confirma uma mudança que já chega às empresas: a IA está deixando de ser uma ferramenta para ocupar uma função. As informações foram retiradas de Inc.
Uma corrida entre as maiores empresas de tecnologia
O Google não está sozinho. Em 29 de setembro, a OpenAI lançou os Dots, agentes que recebem uma meta, seguem limites definidos pelo usuário e continuam trabalhando em segundo plano.
Segundo o site americano Axios, cada Dot tem o próprio computador na nuvem e só procura o usuário quando precisa de uma decisão ou de mais informações. O produto está disponível nos planos Pro, Business e Enterprise do ChatGPT.
A Meta, por sua vez, ampliou o Muse, seu agente pessoal, com ferramentas para pequenas empresas. Na mesma semana, as três maiores empresas de IA do mundo passaram a disputar o mesmo espaço: o do assistente que executa o trabalho, e não só sugere como fazê-lo.
A vantagem do Google está na base instalada. Segundo a empresa, citada pela Inc., mais de 13 milhões de clientes usam o Workspace, de profissionais autônomos a companhias da Fortune 500. Para quem já trabalha nessas ferramentas, adotar um agente embutido nelas exige pouco esforço.
Da ferramenta ao colaborador
A mudança vai além do produto. Até agora, a IA generativa respondia quando alguém fazia uma pergunta. Os agentes recebem um objetivo, dividem o trabalho em etapas e agem por conta própria, inclusive enviando e-mails e marcando reuniões em nome da equipe.
O Gartner projeta que, até 2028, pelo menos 15% das decisões do dia a dia no trabalho serão tomadas de forma autônoma por agentes de IA. Em 2024, esse número era zero. A consultoria também prevê que, no mesmo prazo, 33% dos softwares corporativos terão agentes incorporados, contra menos de 1% em 2024.
Para o presidente de uma empresa, isso significa que parte das decisões operacionais passará a ser tomada por sistemas que não constam do organograma, mas que agem em nome da companhia.
As perguntas que chegam ao conselho
Quando um agente envia um e-mail a um cliente, acessa uma planilha financeira ou fecha um compromisso na agenda de um parceiro, alguém precisa responder por isso. É aí que o tema deixa a área de TI e chega ao conselho.
Os próprios fornecedores tratam esse ponto como prioridade. O Google diz que o Gemini agent tem os controles de segurança, administração e governança que os clientes corporativos exigem, além de mecanismos de controle de custos. A OpenAI permite que o usuário defina o que cada Dot pode fazer sem pedir autorização.
Ainda assim, a decisão sobre esses limites é da empresa, não do fornecedor. O conselho e a diretoria precisam definir que tarefas um agente pode executar sozinho, que dados ele pode acessar e em que momento uma pessoa precisa aprovar a ação.
O entusiasmo também pede cautela. O Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, por custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco insuficientes.
