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Sacre Investimentos
MundoBDR
31/08/2026
3 min

Por que os EUA vão aumentar a produção de mísseis? Entenda

Pentágono fechou acordos de sete anos com General Dynamics e Lockheed Martin para acelerar a fabricação de componentes de defesa

Por que os EUA vão aumentar a produção de mísseis? Entenda

Os Estados Unidos vão ampliar a produção de componentes de mísseis usados em sistemas de defesa aérea após meses de guerra com o Irã aumentarem a pressão sobre os estoques militares americanos. O Pentágono anunciou nesta segunda-feira, 31, acordos de sete anos com a General Dynamics Ordnance and Tactical Systems (GD-OTS) e a Lockheed Martin para elevar a produção e acelerar as entregas.

Os contratos envolvem componentes dos sistemas THAAD e PAC-3 MSE, dois dos principais interceptadores utilizados pelos Estados Unidos. O Departamento de Defesa não informou o valor dos acordos nem quantos mísseis adicionais serão produzidos.

A decisão ocorre poucos dias depois de autoridades americanas demonstrarem preocupação com o ritmo de consumo de munições durante o conflito com o Irã.

Na semana passada, o presidente Donald Trump negou que os Estados Unidos estivessem perto de esgotar seus estoques, mas reconheceu que gostaria de ampliar o arsenal do país.

Por que os EUA estão aumentando a produção

A guerra com o Irã colocou em evidência um problema que vai além do tamanho do arsenal americano: a velocidade com que os Estados Unidos conseguem repor armas sofisticadas depois que elas são utilizadas.

O conflito envolveu o emprego de mísseis em ataques e, principalmente, de interceptadores para conter projéteis lançados pelo Irã. Ao mesmo tempo, Washington mantém o fornecimento de armas para aliados, como a Ucrânia, aumentando a demanda sobre uma indústria de defesa que não foi estruturada para repor rapidamente grandes volumes de determinados sistemas.

Um estudo do Center for Strategic and International Studies (CSIS) divulgado neste ano apontou justamente a necessidade de reconstruir e reformular a base industrial americana de munições. Segundo a análise, guerras de alta intensidade, com uso em massa de drones e mísseis, exigem estoques maiores e uma capacidade de produção mais rápida.

O problema é especialmente relevante para armas sofisticadas. Segundo o estudo, a fabricação de alguns sistemas pode levar entre 25 e 51 meses, o que dificulta a reposição caso os estoques sejam consumidos em ritmo elevado durante um conflito prolongado.

O que os novos contratos envolvem

O Pentágono fechou os acordos com a General Dynamics e a Lockheed Martin para aumentar a quantidade produzida e reduzir o prazo de entrega de componentes dos programas THAAD e PAC-3 MSE.

O THAAD é empregado contra mísseis balísticos e foi desenvolvido para interceptá-los em grandes altitudes. O PAC-3 MSE, por sua vez, é um interceptador do sistema Patriot utilizado contra mísseis e outras ameaças aéreas.

Os contratos de sete anos dão às fabricantes maior previsibilidade para ampliar linhas de produção, contratar fornecedores e investir em capacidade industrial. Para o governo americano, o objetivo é evitar que o consumo de munições em um conflito seja seguido por um período igualmente longo de recomposição dos estoques.

Uma mudança no arsenal americano

A ampliação da produção faz parte de uma discussão maior dentro do Pentágono sobre como preparar as Forças Armadas para guerras mais longas. O CSIS aponta que os Estados Unidos precisam combinar sistemas sofisticados, caros e de alta precisão com armas mais simples e baratas, que possam ser fabricadas em grande quantidade.

Essa mudança já aparece nas previsões orçamentárias americanas. Para 2027, o pedido de interceptadores Patriot PAC-3 MSE cresceu 839% em relação a 2026, enquanto a solicitação para sistemas THAAD aumentou 2.216%. O pedido de mísseis Tomahawk também avançou 1.740%.

A lógica é aumentar não apenas a qualidade do arsenal, mas sua profundidade. Cerca de 49% das munições solicitadas pelo Departamento de Defesa para 2027 têm custo inferior a US$ 600 mil por unidade. Nas projeções para 2031, essa parcela passa de 70%, segundo o estudo.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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