Por que países pedem para famílias estocarem comida e água?
Orientação ganhou repercussão após campanha britânica, mas faz parte de uma estratégia adotada por dezenas de países para preparar a população para situações de crise

RESUMO +
O governo do Reino Unido orienta cidadãos a manter um kit de emergência com suprimentos para três dias, medida adotada em diferentes formatos por ao menos 62 países. As reservas buscam garantir autonomia durante apagões, desastres, ataques cibernéticos e outras crises. Alimentos não perecíveis, água, medicamentos, rádio, lanternas, pilhas e dinheiro estão entre os itens recomendados.
A orientação do governo do Reino Unido para que cidadãos mantenham em casa um 'kit de emergência' para três dias ganhou repercussão internacional. A ideia é que os britânicos tenham em casa alimentos não perecíveis, água potável, dinheiro vivo, rádio e pilhas para enfrentar a falta de serviços essenciais.
A recomendação faz parte de uma campanha de preparação para emergências e não é uma iniciativa isolada. Governos de diferentes regiões do mundo adotam medidas semelhantes para orientar a população a lidar com interrupções no abastecimento e na infraestrutura.
Ao menos 62 países já emitiram recomendações para que famílias mantenham reservas domésticas de produtos essenciais. O período sugerido, porém, varia de acordo com o país, enquanto alguns adotam a referência de 72 horas, outros recomendam estoques para uma semana ou até dez dias.
Por que os governos recomendam 'kits de emergência'?
A orientação busca garantir que as famílias consigam atender às necessidades básicas enquanto os serviços públicos e as equipes de emergência trabalham para restabelecer a normalidade em situações de calamidade pública. Em momentos de crise, o fornecimento de energia elétrica, água, internet e telefonia pode ser interrompido, assim como o funcionamento de transportes, supermercados e outros serviços.
Entre os riscos considerados estão desastres naturais, como enchentes, tempestades e incêndios florestais, que já assolam a Europa e diferentes partes do globo, além de apagões, ataques cibernéticos, conflitos armados e interrupções nas cadeias de abastecimento.
A referência de três dias está relacionada à necessidade de garantir um período inicial de autonomia para a população enquanto as autoridades organizam a resposta à emergência e conseguem chegar às áreas afetadas. A ideia é reduzir a dependência imediata dos serviços públicos e evitar que famílias precisem buscar mantimentos em meio a instabilidade.
A União Europeia, por exemplo, incluiu a recomendação de autonomia mínima de 72 horas em sua Estratégia de Preparação da União, apresentada em março de 2025. O documento considera riscos como tensões geopolíticas, ataques híbridos e cibernéticos, pandemias e eventos climáticos extremos.
Confira a lista de países com algum tipo de orientação para que seus cidadãos mantenham suprimentos para pelo menos 72 horas.
Países com recomendação para kits de emergência:
- França
- Reino Unido
- Estados Unidos
- Canadá
- Japão
- México
- Holanda
- Bélgica
- Bulgária
- Chipre
- República Tcheca
- Dinamarca
- Finlândia
- Grécia
- Islândia
- Lituânia
- Moldávia
- Polônia
- Romênia
- Espanha
- Chile
- Geórgia
- Indonésia
- Estado de Israel
- Cazaquistão
- Malásia
- Nova Zelândia
- Filipinas
- Turquia
- Austrália
- África do Sul
- Brasil
- Suécia
- Noruega
- Estônia
- Letônia
- Áustria
- Alemanha
- Singapura
- Eslováquia
- Colômbia
- Peru
- Irlanda
- Itália
- Sérvia
- Luxemburgo
- Coreia do Sul
- Emirados Árabes Unidos
- Suíça
- Cuba
- China
- Taiwan
- Índia
- Quênia
- Nigéria
- Namíbia
- Cabo Verde
- Irã
- Líbano
- Rússia
- Ucrânia
- Eslovênia
Apesar de não possuir uma recomendação nacional, o Brasil também aparece na lista por ter uma recomendação regional do estado de São Paulo, que orienta a população a manter suprimentos para três dias. É o caso da Austrália, onde Queensland recomenda uma reserva doméstica para três dias, e da África do Sul, onde a Cidade do Cabo adota orientação semelhante.
Quais países recomendam reservas por períodos maiores?
Embora três dias seja uma referência comum, algumas nações adotam períodos maiores de autonomia doméstica. Na Suécia e na Noruega, por exemplo, a orientação é que as famílias estejam preparadas para se manter por pelo menos uma semana. No Japão, a referência mínima é de três dias, mas a orientação é ampliar o estoque para uma semana.
Na Alemanha, o governo recomenda que as famílias tenham alimentos e bebidas suficientes para até dez dias. Na Áustria, Singapura e Eslováquia, a orientação é manter mantimentos para duas semanas.
A Eslovênia apresenta uma das recomendações mais extensas: sua lista de alimentos considera um estoque para 30 dias por adulto, embora a reserva de água indicada seja de pelo menos três dias.
Nem todas as recomendações seguem um período fixo. No Peru, o planejamento é dividido entre uma mochila de sobrevivência para as primeiras 24 horas e uma caixa de reserva para os dias seguintes, até completar quatro dias.
No México, a recomendação também combina dois tipos de reserva: uma mochila de emergência para 48 horas e uma caixa com mantimentos para mais dois dias.
os Estados Unidos, as orientações federais recomendam que a população mantenha alimentos, água e outros itens essenciais para vários dias, sem fixar um prazo único. Na Índia, a orientação é preparar kits de emergência para desastres, também sem uma duração nacional determinada.
Em outros casos, como na Coreia do Sul, as recomendações variam conforme a localidade.
O que deve entrar na reserva de emergência?
As listas variam entre os governos, mas geralmente incluem alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos de uso contínuo, pilhas, lanternas e rádios portáteis.
A orientação britânica, por exemplo, recomenda três litros de água por pessoa por dia apenas para consumo. Para três dias, são nove litros por pessoa. A lista também inclui alimentos enlatados, frutas secas, castanhas, carregadores portáteis, dinheiro em espécie, cobertores e itens de primeiros socorros.
A recomendação é que os produtos sejam escolhidos de acordo com as necessidades de cada família, considerando crianças, idosos, pessoas que utilizam medicamentos e animais de estimação.
A ideia, segundo o governo britânico, não é fazer compras de última hora ou acumular grandes quantidades de produtos, mas organizar gradualmente uma reserva que possa ser utilizada em situações de emergência.
