Por que TIM e Vivo foram as maiores perdas do Ibovespa após balanços do 2º tri?
Ausência de gatilhos positivos e ações esticadas dispararam realização de lucros

As ações de TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, lideraram as perdas do Ibovespa nesta terça-feira, 28, um dia depois de as duas operadoras divulgarem os balanços do segundo trimestre de 2026. Em um pregão majoritariamente positivo para a bolsa brasileira, os papéis VIVT3 fecharam em baixa de 6%, enquanto TIMS3 recuou 5,8%.
A TIM reportou lucro líquido normalizado de R$ 1,04 bilhão, alta de 6,2% em um ano, com Ebitda normalizado de R$ 3,59 bilhões e crescimento de 7%. A Vivo teve lucro de R$ 1,57 bilhão, avanço de 17%, com Ebitda de R$ 6,58 bilhões, alta de 10,9%.
Na TIM, um trimestre "sem surpresas" que não empolgou
Os relatórios das casas de análise convergiram para um mesmo diagnóstico sobre a TIM: um trimestre em linha com as expectativas, sem gatilhos positivos capazes de sustentar a ação. O BTG Pactual, que mantém recomendação de compra, resumiu o balanço no próprio título de seu relatório como "um trimestre sem surpresas", com Ebitda ligeiramente acima e receita ligeiramente abaixo do projetado.
O Itaú BBA, que tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30, avaliou que o resultado veio "amplamente em linha", com tendências mais fracas no negócio móvel na comparação anual. Segundo o banco, o trimestre dentro das expectativas ajuda a reduzir o risco de revisões para baixo nas estimativas de consenso para o fim de 2026, após o desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre. Ainda assim, o BBA chamou atenção para alguns pontos, como a execução na migração de clientes do pré para o pós-pago em meio à inadimplência mais alta e a sustentabilidade da recuperação de margem.
A desaceleração do negócio móvel pesou na leitura. A receita de serviços móveis cresceu 4,6%, ante 5,6% no primeiro trimestre. O pós-pago tradicional perdeu ritmo, e o ARPU (receita média por usuário) móvel avançou de forma mais limitada. As despesas com inadimplência subiram 38,1% no ano, pressionadas por um efeito pontual ligado a um cliente do segmento B2B e atacado. A fibra, um dos motores de crescimento da operadora, também desacelerou, com alta de 9,5%, ante 11,4% no trimestre anterior.
Para o BTG, a queda recente abriu uma oportunidade de compra. Com o tombo, os papéis da TIM já acumulam perda de mais de 20% desde o pico do ano e ficaram mais baratos, o que eleva o retorno esperado em dividendos. Nas contas do banco, a ação deve pagar o equivalente a 10,5% do seu preço em proventos em 2026 e oferece um retorno de caixa livre de cerca de 12%. Para os analistas, esses números tornam o preço atual atrativo, mesmo diante do temor de uma concorrência mais acirrada no setor.
Para o CEO da TIM, queda reflete receio com competição, não o balanço
O presidente da TIM, Alberto Griselli, avaliou que a reação negativa do mercado não reflete os resultados financeiros da operadora, mas sim uma mudança na percepção dos investidores sobre o ambiente competitivo do setor de telecomunicações. Questionado sobre o desempenho das ações durante a coletiva de resultados, o executivo afirmou que a queda está ligada ao receio de que o setor entre em um novo ciclo de competição mais intensa, após um período marcado por maior disciplina comercial.
"Nós fizemos um conjunto de bons anos com um mercado mais racional, competindo na qualidade do serviço, na evolução da proposta de valor para o cliente e na rápida implantação do 5G. Agora, o mercado imagina que essa racionalidade pode ser colocada em questão por uma maior competitividade. A explicação está muito mais nessa perspectiva do que no resultado do trimestre", disse.
Segundo Griselli, o setor vive um momento "mais promocional", embora ele classifique o movimento como parte de um ciclo já observado em outras ocasiões.
"Já passamos por momentos assim nos últimos anos. Houve fases em que a visão sobre o setor era mais construtiva, depois isso se perdeu e voltou novamente. Faz parte desses ciclos. O importante para nós continua sendo oferecer um bom serviço, uma boa proposta de valor e manter o foco na geração de caixa", afirmou.
Na Vivo, receita forte não compensou lucro e caixa mais fracos
No caso da Vivo, o balanço foi classificado como misto pelos analistas. A receita de serviços móveis cresceu 6,6%, o melhor desempenho entre as três grandes operadoras, e o BTG destacou a companhia como a única do setor a não desacelerar nesse indicador no trimestre. A receita líquida total subiu 7,6%, para R$ 15,76 bilhões, também acima das projeções.
O problema apareceu nas linhas mais abaixo do balanço. O Itaú BBA, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 38, avaliou que o resultado teve receita de serviços móveis forte, mas lucro líquido decepcionante. O Ebitda superou a projeção do banco em 1%, mas foi impulsionado principalmente por R$ 202 milhões em vendas de ativos ligados à antiga concessão de telefonia fixa. Excluído esse efeito, a margem ficou 20 pontos-base abaixo do estimado. O lucro líquido veio 11% abaixo da projeção, pressionado por depreciação e amortização mais altas e por uma alíquota de imposto maior que a esperada.
O Citi já previa que a geração de caixa mais fraca e o lucro recorrente abaixo do esperado pudesse superar as tendências operacionais saudáveis na avaliação do investidor, ainda mais depois da valorização recente do papel.
O fluxo de caixa livre da Vivo caiu 10,7% no trimestre, para R$ 2,66 bilhões, mesmo com o avanço do lucro. A queda foi puxada por pagamentos maiores de impostos, que subiram 44,4%, e por uma contribuição menor do capital de giro. O capex ficou em R$ 2,59 bilhões, 6% acima do projetado pelas casas.
