Por que Trump planeja investir US$ 1 bilhão na Colômbia?
Novo governo colombiano rompe com estratégia de “paz total” de Gustavo Petro e sinaliza maior alinhamento com a agenda de Donald Trump

Os Estados Unidos planejam oferecer US$ 1 bilhão em assistência de segurança à Colômbia, em um dos primeiros movimentos de Washington após a posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado americano sábado, 8, um dia depois de de la Espriella assumir o cargo.
Segundo o Departamento de Estado, o pacote pretende apoiar objetivos compartilhados entre os dois governos, entre eles o combate ao crime organizado e à imigração ilegal. A assistência ainda depende de medidas junto ao Congresso americano, de acordo com a Reuters.
A decisão ocorre após uma mudança de governo em Bogotá. De la Espriella, um presidente de direita e ex-advogado e empresário, substituiu Gustavo Petro, que adotou durante seu mandato uma estratégia de negociação com grupos armados conhecida como “paz total”.
Por que os EUA querem se aproximar da Colômbia?
A segurança é o principal motivo declarado por Washington para o pacote de US$ 1 bilhão. Durante seu primeiro discurso como presidente, em 7 de agosto, de la Espriella prometeu intensificar o combate a cartéis de drogas e grupos armados.
A posição representa uma mudança em relação à estratégia de Petro, que priorizou negociações com grupos armados e incentivos para que agricultores abandonassem o cultivo de coca.
A Colômbia é relevante para os Estados Unidos porque o tráfico de drogas e a imigração ilegal estão entre os temas que Donald Trump colocou no centro de sua política para a região. Durante a campanha presidencial colombiana, Trump declarou apoio a de la Espriella e afirmou esperar uma relação “muito melhor” com a Colômbia após sua eleição.
O que muda na relação entre Colômbia e EUA?
De la Espriella anunciou, em seu primeiro dia de governo, que a Colômbia entraria na Shield of the Americas, uma parceria de segurança criada pelos Estados Unidos durante o governo Trump.
A aproximação, porém, começou antes da posse. Em 21 de julho, o então presidente eleito havia anunciado a instalação, em Medellín, de um escritório da iniciativa americana de combate ao narcotráfico.
O movimento também foi defendido por parlamentares americanos. Ainda emjulho, os senadores Bernie Moreno e Tom Cotton enviaram uma carta a Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo apoio à transição para o novo governo colombiano. No documento, os parlamentares citaram segurança regional, combate à imigração ilegal e ao narcoterrorismo como interesses americanos.
Como o pacote se encaixa na política de Trump
O movimento também ocorre em meio a uma mudança mais ampla na política externa americana.
No projeto de orçamento para o ano fiscal de 2027, publicado pela Casa Branca em abril de 2026, o governo Trump afirma que pretende manter investimentos em segurança de fronteiras e fiscalização da imigração, além de direcionar a assistência externa para objetivos que tornem os Estados Unidos “mais seguros, fortes e prósperos”.
O mesmo documento registra que a administração havia eliminado US$ 5 bilhões em assistência externa por meio de uma medida de rescisão orçamentária e propõe mudanças nos programas de ajuda internacional.
Por isso, o anúncio para a Colômbia trata-se de um compromisso de assistência externa de grande porte em um governo que passou a defender uma utilização mais seletiva desses recursos, vinculada às prioridades americanas de segurança e política externa.
Isso não significa, porém, que o orçamento de 2027 determine especificamente o pacote colombiano. O documento da Casa Branca serve como contexto para a política geral de assistência externa de Trump, enquanto o objetivo específico dos US$ 1 bilhão foi apresentado pelo Departamento de Estado como segurança e combate ao crime organizado e à imigração ilegal.
Quem é Abelardo de la Espriella?
Abelardo de la Espriella assumiu a Presidência da Colômbia em 7 de agosto de 2026. Advogado e empresário, ele construiu sua campanha como um candidato de fora da política tradicional e adotou o combate ao crime como uma das principais bandeiras.
Em seu primeiro discurso, dirigido a militares em Cali, prometeu uma ofensiva contra grupos armados e cartéis de drogas e afirmou que o Estado seria mais duro contra organizações criminosas.
Sua chegada ao poder marca uma mudança em relação ao governo de Gustavo Petro e ocorre em paralelo a uma aproximação mais rápida com Washington.
O primeiro sinal concreto dessa mudança foi anunciado no dia seguinte à posse: US$ 1 bilhão em assistência de segurança planejada pelos Estados Unidos para o novo governo colombiano.
