Por que uma fala do CEO da Apple fez as ações da Micron avançarem quase 4%
Fala de Tim Cook sobre custos de memória, bem como capex elevado da Amazon animam investidores

As ações da Micron Technology avançam nesta sexta-feira, 31, embaladas pelos resultados da Apple e da Amazon divulgados na véspera. Os papéis da empresa (MU) subiam quase 4%, cotados a US$ 904,00 no pré-mercado, às 8 horas (horário de Brasília).
As negociações do pregão da quinta-feira, 30, também levaram a companhia a subir 19%. Uma recuperação rápida depois que a ação havia fechado a US$ 739 na quarta-feira, 29, em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade do boom de memória para a inteligência artificial (IA), segundo a Barron's.
Parte dessas dúvidas perdeu força depois do CEO da Apple, Tim Cook, comentar as pressões de custo enfrentadas pela fabricante do iPhone. "Para setembro, esperamos pagar custos de memória ainda mais altos", o que deve favorecer ainda mais a Micron, já que ela fabrica chips de memória.
Nos últimos doze meses, os papéis da Micron acumulam ganho superior a 700%.
O que Cook não disse também pesou
Tão relevante quanto a fala de Cook sobre custos mais altos foi o que ficou de fora do discurso. O executivo mencionou apenas de forma cautelosa a possibilidade de novos fornecedores entrarem no mercado de memória, mas não fez qualquer referência a planos da Apple de comprar componentes de empresas chinesas para equipar seus dispositivos vendidos na China.
O tema é sensível para o mercado porque, segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal na semana anterior, a Apple vem pressionando o governo de Donald Trump para obter autorização de usar chips de memória fabricados na China em aparelhos comercializados fora dos Estados Unidos.
A possibilidade de uma entrada maciça de chips chineses no mercado tem sido um dos fatores que pressionam as ações da Micron nos últimos meses, mas o risco ainda é visto como distante pelos investidores.
Amazon reforça aposta em infraestrutura de IA
Enquanto a fala de Cook aliviou parte da cautela em torno da Micron, a Amazon contribuiu com outro estímulo para o papel, ao elevar sua projeção de capex para 2026, de US$ 200 bilhões para US$ 220 bilhões, sinalizando manutenção do ritmo forte de gastos em infraestrutura de IA.
Esse tipo de expansão tende a beneficiar diretamente fornecedores de componentes como a Micron, que fabrica memória usada em servidores voltados a cargas de trabalho de IA.
Com o cenário de demanda ainda aquecido, o mercado segue projetando crescimento de lucro para a Micron pelos próximos três anos, impulsionado pelos gastos elevados em IA, conforme informações divulgadas pela Barron's.
Mesmo após as fortes altas recentes, a ação é negociada a um múltiplo preço sobre lucro projetado inferior a seis vezes, acrescentaram dados da FactSet divulgados pela Barron's. Um patamar considerado baixo para uma empresa com essa trajetória de valorização.
