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InvestMercados
20/09/2026
5 min

Porsche, China e tarifas: o que levou a Volkswagen a cortar projeções para 2026

A montadora alemã agora projeta receita de cerca de 315 bilhões de euros neste ano, abaixo dos 321,9 bilhões registrados em 2025

Porsche, China e tarifas: o que levou a Volkswagen a cortar projeções para 2026

A Volkswagen reduziu sua projeção de lucro para este ano, após uma baixa contábil de 6 bilhões de euros relacionada à Porsche, sua principal marca de carros esportivos de luxo. A montadora alemã agora espera uma margem operacional de até 1%, ante a previsão anterior de 4% a 5,5%. A revisão também incorpora a piora do mercado chinês e os custos de uma ampla reestruturação.

A nova previsão fica bem abaixo do consenso de 4,1% esperado por analistas. Segundo a companhia, os impactos negativos sobre os resultados podem chegar a cerca de 10 bilhões de euros, dos quais 6 bilhões  estão relacionados a uma baixa contábil decorrente da revisão das perspectivas de médio prazo da Porsche.

A baixa contábil ocorre depois quea Volkswagen revisou o planejamento de longo prazo e as premissas utilizadas na avaliação da fabricante de carros esportivos. Na prática, a revisão levou a empresa a reconhecer que o valor contábil associado à Porsche precisava ser reduzido.O ajuste acontece em um momento de forte pressão sobre a Porsche. A marca foi atingida pela queda da demanda por veículos de luxo na China e pelastarifas de importação dos Estados Unidos. A empresa também enfrenta os efeitos de uma aposta elevada em veículos elétricos que não trouxe o retorno esperado, segundo informações da Bloomberg.

A Porsche registrou margem de lucro de apenas 1,1% no ano passado e prepara uma apresentação para investidores e analistas em 7 de outubro, quando deve divulgar metas financeiras de médio prazo e atualizar sua estratégia.

China amplia pressão sobre a Volkswagen

A crise, porém, vai além da Porsche. A Volkswagen também apontou a deterioração do mercado chinês como um dos principais fatores para a revisão das projeções. A China foi por muito tempo o maior mercado da montadora e uma importante fonte de resultados, mas a empresa vem perdendo espaço para fabricantes locais, enquanto aeconomia chinesa permanece fraca.

"O maior mercado único do mundo caiu 20%, sem qualquer sinal de consolidação. Não podemos escapar dessa tendência", afirmou o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, segundo o Financial Times.

A companhia também alertou que uma piora adicional das condições de mercado, especialmente na China, pode pressionar ainda mais os resultados. Entre os fatores estão a concorrência crescente de fabricantes chinesas, como BYD e Xiaomi, e mudanças nos impostos chineses sobre veículos de luxo, que afetaram especialmente as montadoras alemãs.

Além disso, a Volkswagen afirmou que uma mudança mais rápida do que o esperado na demanda em direção aosveículos elétricos a bateria está pressionando a rentabilidade, principalmente das marcas Volkswagen e Audi.

Os veículos elétricos geralmente têm margens menores que modelos equivalentes com motores a combustão. Com isso, uma mudança mais rápida no mix de vendas pode reduzir os ganhos mesmo com o aumento das vendas de elétricos.

Reestruturação pesa sobre o resultado

Outro componente da revisão são os custos de reestruturação. A Volkswagen informou que fará mais 2 bilhões de euros em baixas contábeis no segundo semestre, relacionadas ao mercado chinês e a medidas de reorganização.

Entre os custos estão programas de aposentadoria antecipada e a venda planejada da fábrica de Osnabrück, na Alemanha. A unidade deve deixar de produzir veículos em 2027 e será vendida para a israelense Aurelius Capital e para o estado da Baixa Saxônia, que planejam reaproveitar o local para a fabricação de equipamentos de defesa.

A reestruturação da Volkswagen também prevê cortes de até 100 mil empregos no mundo, o dobro do número inicialmente planejado, após um acordo com representantes dos trabalhadores. O grupo ainda enfrenta pressão para reduzir o excesso de capacidade de suas fábricas e os custos na Alemanha.

No total, a Volkswagen estima que os efeitos negativos de cerca de 10 bilhões de euros reduzirão o lucro operacional de 2026. Cerca de 900 milhões de euros já haviam sido registrados no primeiro semestre, segundo informações divulgadas pela companhia. Mesmo desconsiderando esses itens extraordinários, a companhia estima uma margem operacional de aproximadamente 4%.

A combinação de problemas derruba as projeções

Além da Porsche, da China e da reestruturação, a Volkswagen citou as tarifas dos Estados Unidos, o aumento dos custos de fabricação e a concorrência mais intensa das montadoras chinesas como fatores que pressionam o negócio.

A companhia agora projeta receita de cerca de 315 bilhões de euros em 2026, abaixo dos 321,9 bilhões registrados em 2025. A estimativa considera as tarifas em vigor inalteradas e não inclui possíveisimpactos futuros da guerra no Oriente Médio.

O alerta de lucro provocou forte reação no mercado. As ações da Volkswagen chegaram a cair 7,5% em Frankfurt e fecharam o pregão nesta sexta-feira, 18, com queda de 5,6%. Os papéis da Porsche também recuaram 3,3%, enquanto a Porsche SE, principal acionista da Volkswagen, também revisou suas perspectivas e caiu 4,9%.

O movimento também atingiu outras montadoras, como BMW, Mercedes-Benz e Ford. O relatório do terceiro trimestre da Volkswagen será divulgado em 29 de outubro.

AutorClara Assunção
FonteExame
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