Possível alta de juros pelo Fed não deve pesar na renda variável no curto prazo, diz chefe de investimentos do ASA
As possíveis novas altas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) seguem no radar dos investidores, mas, para Rogério Freitas, chefe de investimentos do ASA, o principal motor das bolsas norte-americanas continua sendo a força dos lucros corporativos e o avanço da inteligência artificial (IA). Em entrevista ao Money Times, […]

As possíveis novas altas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) seguem no radar dos investidores, mas, para Rogério Freitas, chefe de investimentos do ASA, o principal motor das bolsas norte-americanas continua sendo a força dos lucros corporativos e o avanço da inteligência artificial (IA).
Em entrevista ao Money Times, Freitas afirma que o mercado hoje convive com duas forças opostas: de um lado, o aumento dos juros, que eleva o custo de capital e pressiona as avaliações das empresas. De outro, uma economia ainda robusta e companhias entregando resultados acima do esperado.
“Tem um vetor negativo, que é a elevação da taxa livre de risco e do custo do capital. Isso é negativo para o valor presente dos ativos. Mas existe um vetor positivo, que é a surpresa positiva de geração de lucros das empresas e a força da economia, que continua crescendo mesmo com essa elevação dos juros”, explica Freitas.
Segundo ele, o saldo entre esses fatores segue favorável para a renda variável norte-americana. “Mesmo com a elevação da taxa de desconto, o vetor favorável de crescimento mais alto e lucros robustos se sobressai. O efeito líquido é positivo. Por isso a bolsa americana continua performando bem”, diz.
Mais uma alta do Fed não deve encerrar ciclo positivo
O mercado chegou a precificar duas altas adicionais de juros nos Estados Unidos até o fim do ano, mas atualmente trabalha com uma expectativa mais moderada, de apenas uma alta na reunião de dezembro do Fed (87,8%), de acordo com a ferramenta Fed Watch, do CME Group. Hoje, o juro norte-americano está no intervalo entre 3,75% e 4%.
Ainda assim, Freitas não vê sinais de que a renda variável esteja próxima do fim do ciclo de valorização. “Pela dinâmica de preços, pelos dados da economia e pelos resultados microeconômicos, não está parecendo que teremos uma mudança relevante ou que estamos perto do final do ciclo”, avalia.
Na avaliação dele, o aumento dos juros reflete, em parte, uma economia aquecida e uma forte demanda por investimentos.
“A taxa de juros está subindo porque existe uma coisa saudável acontecendo. Existe uma economia mais forte, empresas demandando capital para investir em inteligência artificial, infraestrutura, energia e indústria. O efeito colateral disso é uma elevação do custo do capital.”
Ainda vale entrar em ações de tecnologia?
Apesar das preocupações recorrentes sobre uma possível bolha no setor de tecnologia, Freitas considera que os investimentos ligados à inteligência artificial continuam sendo sustentados por retornos elevados.
Segundo ele, a grande questão para os investidores é saber se o retorno sobre o capital investido continuará elevado nos próximos anos.
“O medo do mercado é que estejamos perto do final do ciclo e que o retorno comece a diminuir. Mas o que está acontecendo até agora é exatamente o contrário. O retorno sobre o capital continua crescendo e continua muito alto”, diz.
Para Freitas, os balanços corporativos têm sido a principal resposta às dúvidas dos investidores. Por ora, o mercado continua sendo surpreendido positivamente pelos resultados das companhias, o que impulsiona as ações.
Ele observa que os investidores acabam sendo influenciados pelo medo e pela realização de lucros no curto prazo, enquanto as empresas de tecnologia continuam apresentando crescimento.
“Se você olhar os fundamentos, eles não parecem justificar um cenário mais pessimista. Os resultados continuam positivos”, considera.
Para o chefe de investimentos do ASA, a principal pergunta para os próximos trimestres não está relacionada aos juros propriamente ditos, mas à capacidade de manutenção dos ganhos corporativos.
Ainda assim, ele se diz otimista com o potencial de longo prazo da inteligência artificial. “Nós nem começamos [a ver os efeitos da IA]. O impacto da inteligência artificial sobre medicina, engenharia, transporte, segurança cibernética e diversos outros setores ainda está apenas no começo”, avalia.
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