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MercadosACS
05/09/2026
4 min

Potencial de alta de até 41%: Itaú BBA troca 3 ações da carteira e adota postura defensiva para setembro

O Itaú BBA promoveu três mudanças em sua carteira recomendada de ações para setembro, em uma tentativa de proteger o portfólio de um cenário mais adverso para a Bolsa brasileira. Nubank (ROXO34), Sabesp (SBSP3) e Bradesco (BBDC4) deixaram a seleção. Em seus lugares, entraram BTG Pactual (BPAC11), Eneva (ENEV3) e Suzano (SUZB3). Com as alterações, […]

Potencial de alta de até 41%: Itaú BBA troca 3 ações da carteira e adota postura defensiva para setembro

O Itaú BBA promoveu três mudanças em sua carteira recomendada de ações para setembro, em uma tentativa de proteger o portfólio de um cenário mais adverso para a Bolsa brasileira.

Nubank(ROXO34), Sabesp(SBSP3) e Bradesco(BBDC4) deixaram a seleção. Em seus lugares, entraram BTG Pactual (BPAC11), Eneva(ENEV3) e Suzano(SUZB3).

Com as alterações, a carteira Top 5 passou a ser formada por:

Ação Ticker Peso Preço justo Potencial de alta
Embraer EMBJ3 20% R$ 124,00 33,2%
BTG Pactual BPAC11 20% R$ 67,00 22,5%
Eneva ENEV3 20% R$ 32,70 24,6%
Axia Energia AXIA3 20% R$ 75,20 41,1%
Suzano SUZB3 20% R$ 58,00 27,8%

A reformulação revela uma postura mais defensiva do banco. O Itaú BBA diminuiu a exposição ao crédito para pessoas físicas e aumentou a presença de companhias com receitas contratadas, negócios dolarizados ou menor dependência da economia brasileira.

BTG entra no lugar do Nubank

A troca do Nubank pelo BTG Pactual reflete a preocupação do Itaú BBA com o endividamento das famílias, os juros elevados e o possível aumento da inadimplência no crédito ao consumidor.

Embora tenha mantido exposição ao setor financeiro, o banco optou por uma instituição com fontes de receita mais diversificadas.

Segundo a carta, o BTG combina crescimento consistente dos lucros e rentabilidade elevada, além de apresentar revisões positivas de resultados mesmo em um ambiente mais difícil para os bancos de varejo.

O BTG atua em áreas como banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio. Essa diversificação reduz sua dependência direta do consumo das famílias.

Eneva substitui Sabesp

A Eneva entrou na carteira no lugar da Sabesp. Para o Itaú BBA, a companhia de energia oferece maior previsibilidade de resultados, apoiada pelo aumento das receitas contratadas.

O banco também vê oportunidades que ainda não estariam totalmente incorporadas ao preço da ação, como os ganhos com o acionamento das usinas termelétricas, a comercialização de gás e energia e a necessidade crescente de flexibilidade no sistema elétrico brasileiro.

Novos projetos no leilão de reserva de capacidade e a flexibilização operacional de ativos também aparecem como possíveis gatilhos para a empresa.

Suzano reforça proteção contra riscos domésticos

Já a entrada da Suzano no lugar do Bradesco representa uma redução adicional da exposição ao crédito brasileiro.

Com vendas concentradas no exterior e receitas em dólar, a produtora de celulose tem menor correlação com a atividade econômica doméstica. A ação também pode funcionar como uma proteção parcial contra riscos fiscais, cambiais e eleitorais.

Mesmo com os preços da celulose ainda pressionados, o Itaú BBA avalia que a Suzano negocia a múltiplos descontados e mantém uma geração de caixa atrativa.

Por que o Itaú BBA ficou mais defensivo?

A mudança ocorre depois de um agosto marcado pela saída de aproximadamente R$ 18,5 bilhões de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira.

O Ibovespaencerrou o mês com queda de 0,3%, após chegar a acumular perda de 6,5% até o dia 18. Para o Itaú BBA, a recuperação nas últimas semanas não eliminou os fatores de risco para o mercado.

No exterior, as tensões no Oriente Médio mantiveram o petróleo em níveis elevados, reforçando as preocupações com a inflação. Ao mesmo tempo, os juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos subiram diante das dúvidas sobre a trajetória da dívida pública norte-americana.

O avanço da inteligência artificial também desviou parte do fluxo destinado aos mercados emergentes para países como Taiwan e Coreia do Sul, que concentram grandes fabricantes de chips e memória.

No Brasil, a eleição e as incertezas fiscais reduziram ainda mais o interesse dos estrangeiros. O Itaú BBA observa que até mesmo empresas com resultados positivos foram penalizadas: cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções da casa, mas 52% das ações caíram no pregão seguinte à divulgação.

“Em agosto, a dinâmica dos fluxos globais e as condições macroeconômicas se sobrepuseram aos fundamentos apresentados isoladamente pelas empresas”, afirma a instituição.

O corte da Selicpara 14% ao ano e a desaceleração da inflação ofereceram algum alívio. O cenário-base do Itaú prevê mais uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro. Ainda assim, o movimento deve permanecer em segundo plano enquanto o fluxo estrangeiro, a disputa eleitoral e os juros internacionais continuarem ditando o humor dos investidores.

Em agosto, a carteira Top 5 caiu 0,7%, desempenho 0,4 ponto percentual inferior ao do Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção avançou 1,9%, ante alta de 10,1% do índice. Desde sua criação, em janeiro de 2016, porém, a carteira acumula valorização de 1.197%, frente a 342% do Ibovespa.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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