Prata despenca 30% após rali histórico e vira aposta arriscada em 2026

A prata perdeu mais de 30% em relação à máxima histórica de US$ 120 por onça atingida em janeiro, e analistas de grandes bancos internacionais estão alertando que o metal pode continuar pressionado ao longo de 2026.
A combinação de preços ainda elevados, demanda industrial enfraquecida e ausência de um comprador estrutural, como os bancos centrais representam para o ouro, coloca a prata em posição delicada no radar dos investidores.
O UBS foi direto no ponto ao alertar que os ganhos de cerca de 140% acumulados pelo metal ao longo de 2025 já estão afastando compradores em vários segmentos industriais. A erosão da demanda, na visão do banco, provavelmente vai persistir enquanto os preços se mantiverem nos níveis atuais.
Para os analistas, isso torna o investimento em prata "pouco atraente" diante de uma volatilidade que não recompensa adequadamente o risco, segundo informações da CNBC.
Sem âncora de demanda
O ponto central da análise é estrutural. "Ao contrário do ouro, que se beneficia das robustas compras dos bancos centrais, a prata não possui essa âncora estratégica de demanda e permanece ausente das reservas oficiais."
"Como resultado, a prata é mais vulnerável a oscilações no investimento privado e na demanda industrial, e provavelmente terá um desempenho inferior ao do ouro", acrescentou o UBS.
Isso a torna significativamente mais exposta a variações no investimento privado e nas compras industriais, ou seja, nos dois pilares que sustentam sua demanda. E é justamente o industrial que está cedendo.
O metal tem aplicação em uma gama ampla de produtos, desde painéis solares e veículos elétricos a smartphones e computadores. Essa característica, que impulsionou sua valorização durante o ciclo de expansão de 2025, agora joga contra o metal.Como é mais sensível ao ciclo econômico do que o ouro, a desaceleração industrial e a incerteza macro têm peso desproporcional sobre seus preços.
Trajetória volátil e queda
O caminho percorrido pela prata desde o pico é marcado por turbulência. Após atingir US$ 120 por onça em 28 de janeiro, o metal sofreu uma queda de quase 30% em um único pregão.
Os preços chegaram à mínima de 2026 em US$ 67,60 no dia 20 de março, antes de esboçar uma recuperação. Em meados de maio, o metal voltou a ser negociado perto de US$ 87, mas uma nova onda de vendas devolveu as cotações à faixa de US$ 75-78, onde permaneceram por cerca de duas semanas.
Nesta quinta-feira, 28, os futuros da prata caíam 1,75%, negociada a US$ 73,59 por onça.
HSBC e Macquarie pessimistas
O HSBC adota postura ainda mais cautelosa. Em nota publicada na quinta-feira, 27, os analistas do banco afirmaram que o metal está "fundamentalmente sobrevalorizado" e pode divergir do ouro em sua trajetória.
A projeção é de que a relação ouro/prata deva se ampliar, o que significa que mesmo em um cenário de alta para o ouro, a prata pode se desvalorizar. "O espaço para novas altas é limitado", disse.
Na Macquarie, o diagnóstico também não é otimista para o curto prazo. Os estrategistas da casa acreditam que a volatilidade vai persistir enquanto o conflito no Irã não for resolvido.
A projeção é de que os preços médios da prata permaneçam nos patamares atuais até o fim do ano, com risco considerável de queda caso o cenário macroeconômico piore.
Uma eventual redução de juros pelo banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), é esperada pelos analistas da Macquarie para o primeiro semestre de 2027. Ela é apontada como o principal gatilho para alívio na pressão sobre os metais preciosos.
