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Sacre Investimentos
Economia
15/07/2026
4 min

Prato feito fica 7,2% mais caro desde o início de 2026 no Brasil; veja preços por região

Prato feito fica 7,2% mais caro desde o início de 2026 no Brasil; veja preços por região

O prato feito voltou a pesar no orçamento do brasileiro. Entre janeiro e junho de 2026, o preço médio da refeição subiu 7,2% no país, segundo o Índice Prato Feito (IPF), levantamento da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), instituição de ensino mantida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A média do valor passou de R$ 29,77, em janeiro, para R$ 31,90, em junho. Só no segundo trimestre, entre março e junho, o avanço foi de 5,4%, ritmo bem acima da inflação oficial do período.

Na prática, o aumento pesa direto no bolso de quem depende do restaurante para almoçar.

Considerando 20 dias úteis por mês, um trabalhador que come fora todos os dias gasta hoje cerca de R$ 638 mensais só com o prato principal, sem contar bebida, sobremesa ou lanche.

Em famílias em que duas pessoas fazem essa mesma rotina, a despesa teórica pode chegar a R$ 1.276 por mês, caso ambas paguem o valor médio nacional.

PF por região

O IPF também mostra que o Brasil não almoça pelo mesmo preço. Segundo o levantamento, os valores médios do prato feito em junho de 2026 foram:

  • Sul: R$ 34,90
  • Centro-Oeste: R$ 34,45
  • Sudeste: R$ 31,99
  • Nordeste: R$ 30,00
  • Norte: R$ 29,99
  • Média nacional: R$ 31,90

O Sul lidera o ranking das regiões mais caras, com preço médio de R$ 34,90 pela refeição, seguido de perto pelo Centro-Oeste, com R$ 34,45.

No outro extremo está o Norte, região mais barata do país, com R$ 29,99. A diferença entre a região mais cara e a mais barata chega a 16,4%.

Essas disparidades regionais costumam ser explicadas por uma combinação de fatores: custo dos imóveis comerciais, renda da população local, logística de distribuição dos alimentos, despesas com mão de obra, nível de concorrência entre estabelecimentos e hábitos de consumo de cada região.

Por que o PF está mais caro?

O preço do prato feito não reflete apenas o custo dos alimentos, mas também outros gastos relacionados aos restaurantes e lanchonestes. Entre os principais estão:

  • o aluguel do ponto comercial;
  • a energia elétrica;
  • o salário dos funcionários;
  • o transporte dos alimentos;
  • os tributos;
  • o custo financeiro e a margem do empresário.

Por isso, mesmo quando um insumo específico fica mais barato, o preço final da refeição nem sempre recua na mesma proporção.

Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a entender esse cenário.

Em junho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, avançou 0,16%.

O grupo Alimentação e Bebidas, no entanto, teve o maior impacto negativo do mês, com queda de 0,24%, puxada principalmente pela alimentação dentro de casa, após alta de 1,33% em maio.

Já a alimentação fora do domicílio seguiu em trajetória diferente.

De acordo com o IPCA-15 do IBGE, prévia oficial do índice, esse segmento avançou 0,40% em junho, e o item "refeição" subiu 0,39% no mês, evidenciando que o custo de comer fora de casa nem sempre acompanha o alívio observado nos supermercados.

Parte da pressão sobre os alimentos vem de itens que dispararam ao longo do primeiro semestre.

Segundo o IBGE, no acumulado dos seis primeiros meses de 2026, os preços do tomate, da cenoura e da batata-inglesa mais que dobraram, com altas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente. O feijão-carioca, tipo mais consumido no país, também subiu 8,31% somente em junho, mesmo em um mês de recuo geral dos alimentos.

Esse conjunto de fatores explica por que o prato feito segue mais caro, mesmo em meses de trégua na inflação de alimentos.

A expectativa do mercado, segundo o Boletim Focus mais recente do Banco Central, é de que o IPCA feche 2026 em 5,16%, acima do teto da meta de inflação perseguida pelo governo, o que reforça o cenário de custo de vida ainda pressionado para o segundo semestre.

O que tem no prato feito?

O prato feito, o famoso PF, é a refeição mais tradicional de quem trabalha fora de casa no Brasil. O IPF considera como prato feito a combinação de arroz, feijão, proteína, salada e guarnição, servida em restaurantes por quilo, a la carte ou via aplicativos de entrega.

A edição mais recente do índice, referente ao segundo trimestre de 2026, reuniu 887 coletas de preços em estabelecimentos de diferentes regiões do país, a maior base de dados da série histórica do estudo, iniciada em janeiro de 2026. A apuração foi feita de forma presencial e também em aplicativos de delivery.

AutorDiandra Guedes
FonteExame
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