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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
14/08/2026
5 min

PRC Empreendimentos lança fundo de R$ 10 milhões para mudar a experiência de morar

Incorporadora de Maringá destinará recursos próprios a startups e tecnologias para segurança, mobilidade, conectividade e serviços em seus empreendimentos

PRC Empreendimentos lança fundo de R$ 10 milhões para mudar a experiência de morar

A PRC Empreendimentos, incorporadora fundada em 2012 em Maringá, no Paraná, acaba de anunciar um fundo de R$ 10 milhões de reais para investir em startups, empresas de tecnologia e novos serviços. A tese inclui soluções para segurança, infraestrutura, conectividade, mobilidade e experiência do cliente.

A iniciativa está ligada ao Cidade Aruna, projeto mais ambicioso da companhia, e marca uma mudança na estrutura de inovação da PRC. Jean Vogel, que comandava a PropTech Ecosystems Builders, empresa especializada na criação e gestão de ambientes de inovação, assume como head de Inovação da incorporadora. Ele também será responsável por prospectar e avaliar oportunidades de investimento do fundo.

"Para nós, um ecossistema de edifícios e infraestruturas vai muito além do hardware, a estrutura física; o verdadeiro valor está no software — nas ativações, conexões e serviços que permitem às pessoas empreender, trabalhar, morar e usufruir de lazer e cultura em um só lugar", afirma Vogel.

O próximo passo será transformar os R$ 10 milhões em aplicações concretas nos empreendimentos. A PRC pretende usar o capital para testar e incorporar tecnologias ao Cidade Aruna e aos próximos projetos, com possibilidades que vão de controle de acesso e armazenamento de energia a eletromobilidade, infraestrutura digital e serviços para moradores.

Por que a PRC criou um fundo de inovação

A PRC nasceu em 2012 com atuação na incorporação e construção de empreendimentos de alto padrão. Agora, tenta ampliar o modelo para atuar também sobre os serviços e as tecnologias que fazem parte da vida dos usuários.

O fundo é uma das ferramentas dessa mudança. A companhia quer financiar soluções que possam ser incorporadas aos próprios ativos e melhorar a experiência de quem mora, trabalha ou circula neles.

A estrutura terá recursos próprios da PRC. O dinheiro vem de uma porcentagem do VGV, valor geral de vendas, do Cidade Aruna, segundo Vogel. "A criação do fundo é uma decisão estratégica para financiar, impulsionar e integrar soluções, produtos e empresas que acelerem essa visão", afirma.

A tese de investimento não se limita a startups em estágio inicial. A PRC pretende trabalhar também com scale-ups, empresas que já validaram seu modelo de negócio e estão em fase de expansão, e empresas de tecnologia mais maduras.

Startups terão de resolver problemas dos empreendimentos

A PRC mapeou quatro grandes áreas para os investimentos. A primeira é gestão e segurança, com tecnologias para controle de acesso, automação e segurança predial.

A segunda envolve infraestrutura e conectividade. Entre as possibilidades estão sistemas BESS, baterias para armazenamento de energia, além de data centers, serviços de nuvem e outras infraestruturas digitais.

A terceira é experiência do cliente. A empresa busca ferramentas para proprietários, moradores, locatários e visitantes. A quarta é mobilidade e logística, com soluções para gestão de vagas, estacionamentos e eletromobilidade.

O portfólio também poderá ganhar novas frentes conforme os projetos da PRC avancem. Em Itajaí, Santa Catarina, a incorporadora prevê um empreendimento que contará com um aeroporto executivo. Nesse caso, Vogel vê espaço para soluções de mobilidade aérea e logística de cargas.

"Buscamos parcerias com startups, scale-ups e empresas de tecnologia que compartilhem dessa visão e queiram co-criar o futuro do mercado imobiliário e urbano", afirma Vogel.

A companhia pretende usar seus próprios empreendimentos como ambientes de teste. Na prática, isso significa que uma startup poderá ter acesso a uma estrutura física e a usuários para validar sua tecnologia. A PRC chama esses ambientes de City Labs, laboratórios urbanos voltados ao teste e à aplicação de novas soluções.

A PRC não definiu um único formato para os aportes. A empresa poderá contratar diretamente uma solução, fechar uma parceria comercial ou fazer um investimento financeiro em troca de participação acionária, modelo conhecido como venture capital.

"Adotaremos um modelo dinâmico e sob medida. A estrutura de investimento dependerá do perfil da empresa, do estágio da solução e da urgência de sua aplicação", afirma Vogel.

O desafio de manter o empreendimento vivo

A estratégia coloca um problema adicional para a PRC: criar tecnologia é apenas uma parte da equação. O consumidor precisa enxergar utilidade nas soluções e incorporá-las à rotina.

A companhia quer se afastar do modelo tradicional de construir, vender e encerrar a relação com o cliente após a entrega. No Cidade Aruna, a proposta é criar uma operação permanente de serviços, negócios e convivência.

O conceito combina moradia, áreas verdes, mobilidade e serviços e se inspira no Novo Urbanismo, movimento que busca aproximar diferentes atividades da vida cotidiana. A PRC também utiliza o conceito de Smart Cities, cidades que usam tecnologia e planejamento para tornar serviços e infraestrutura mais eficientes.

Para Vogel, a tecnologia precisa estar ligada a essa experiência, e não funcionar como um elemento isolado do empreendimento.

"A criação do fundo com recursos oriundos de uma porcentagem do VGV do Cidade Aruna nos confere agilidade e estrutura para mapear, atrair e acelerar oportunidades alinhadas às nossas teses e aos interesses dos parceiros", afirma.

O modelo ainda terá de provar que consegue gerar valor em duas frentes ao mesmo tempo: para as empresas investidas e para os empreendimentos da PRC. "Conectar o mercado imobiliário ao poder de transformação dos ecossistemas de tecnologia e inovação é o caminho mais rápido e eficiente para criar valor real para os ativos e para as cidades", afirma Vogel.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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