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EXAME AgroCMDT
24/06/2026
4 min

Preço do boi gordo entra em fase de transição após recorde das exportações

Preço do boi gordo entra em fase de transição após recorde das exportações

O mercado de boi gordo no Brasil começa a dar sinais de mudança após um período de forte valorização sustentado por exportações recordes e demanda aquecida da China.

Segundo relatório do Rabobank, o ciclo de preços passa a refletir uma transição no equilíbrio entre oferta e demanda, com maior volatilidade no curto prazo e perspectiva de pressão no segundo semestre de 2026.

O indicador do boi gordo mostra um movimento de forte recuperação desde meados de 2024, após um período de relativa estabilidade no ano anterior.

Em 2026, os preços chegaram a superar a faixa de R$ 350 por arroba em momentos pontuais, impulsionados pelo aumento das exportações e pela recomposição da demanda externa — atualmente, as cotações seguem acima da média histórica, mas já mostram sinais de acomodação.

Segundo o Rabobank, as exportações brasileiras de carne bovina seguem em níveis elevados, com 1,4 milhão de toneladas embarcadas no acumulado do ano, alta de 15% em volume e 35% em valor, totalizando US$ 7,8 bilhões.

A China continua sendo o principal destino da proteína, respondendo por cerca de 45% das exportações, enquanto os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com aproximadamente 13% de participação.

Na análise do banco, apesar do desempenho forte, há sinais de desaceleração no horizonte. A expectativa é de redução das compras chinesas a partir do terceiro trimestre de 2026, o que já começa a ser precificado pelo mercado.

Em junho, por exemplo, o preço do boi gordo chegou a recuar cerca de 6% diante da perspectiva de menor demanda futura.

Cotas da China

A concentração das exportações na China tem sido um dos principais fatores de sustentação dos preços do boi gordo nos últimos anos. Mas isso deve mudar a partir do 3º tri em função das cotas de exportação de carne da China, anunciadas no fim de 2025.

Em dezembro, o país asiático impôs tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem as cotas estabelecidas.

Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficou com a maior fatia: 41,1%, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas.

No ano passado, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, com 1,7 milhão de toneladas importadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.

O volume embarcado pelo Brasil em 2025 ficou cerca de 600 mil toneladas acima do teto atualmente permitido.

No entanto, o Rabobank aponta que esse movimento pode perder força à medida que o país asiático reduz o ritmo de compras no segundo semestre de 2026.

Esse cenário leva o mercado a antecipar ajustes de preços e a reduzir expectativas de continuidade do ciclo de alta.

O indicador do boi gordo, que vinha operando em patamares elevados em relação à média de cinco anos, passa a oscilar em uma faixa mais estreita, entre aproximadamente R$ 320 e R$ 340 por arroba, após ter registrado picos acima de R$ 350.

Além da demanda externa, o banco também chama atenção para mudanças na dinâmica doméstica.

O comportamento da oferta e a possível reversão do ciclo pecuário podem contribuir para maior volatilidade nos preços, especialmente em um ambiente em que os custos de produção seguem elevados.

No cenário estrutural, o Rabobank avalia que o mercado de carne bovina brasileiro entra em uma fase de transição, na qual o crescimento das exportações no curto prazo ainda sustenta os preços, mas a dependência da China e os sinais de desaceleração do ciclo global começam a indicar um novo equilíbrio para o boi gordo nos próximos anos.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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