Preço do café cai, consumo aumenta: brasileiros voltam a encher a xícara em 2026
Com preços mais baixos nas gôndolas dos supermercados e expectativa de safra robusta, as vendas de café aceleraram no segundo quadrimestre do ano

A notícia interessa a 97% da população brasileira em idade adulta. Depois de um período de preços elevados que pesou no bolso dos consumidores, o café voltou a ganhar espaço na rotina dos brasileiros. Diante da queda do preço nas gôndolas dos supermercados, o consumo da bebida acelerou ao longo dos últimos meses.
Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) mostram que as vendas do produto no varejo cresceram 4,65% no acumulado do segundo quadrimestre de 2026, entre maio e agosto.
O ritmo é quase o dobro do observado no primeiro quadrimestre do ano, quando a alta havia sido de 2,44%. No período, foram comercializadas cerca de 7 milhões de sacas.
Não foi só a queda do preço que estimulou o consumo de café
O aumento do consumo foi impulsionado por uma combinação de fatores, segundo o presidente da Abic, Pavel Cardoso.
Além das temperaturas mais amenas, que tradicionalmente estimulam a procura pela bebida, o mercado também foi beneficiado pela queda das cotações do café arábica e do conilon (robusta), diante da perspectiva de uma safra robusta.
De acordo com Cardoso, a redução dos custos da matéria-prima foi repassada pela indústria e chegou ao consumidor final por meio de preços mais baixos nos supermercados. A resposta foi imediata: a demanda voltou a crescer de forma mais consistente.
Vamos aos números
O movimento ajuda a explicar os números registrados nos primeiros oito meses do ano. Entre janeiro e agosto, as vendas de café somaram aproximadamente 13,5 milhões de sacas, volume 2,29% superior ao observado no mesmo período de 2025.
A tendência de recuperação do consumo coincide com uma queda relevante nos preços.
O café tradicional e extraforte, por exemplo, ficou 21,22% mais barato em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O preço médio do quilo recuou de R$ 62,83 para R$ 49,50. Já o café solúvel registrou redução de 19,31% no período.
Preço do café vai continuar caindo?
Apesar do cenário mais favorável, a indústria do café mantém cautela para os próximos meses.
A principal preocupação é a evolução do fenômeno El Niño e seus possíveis impactos sobre a produção agrícola.
Segundo a Abic, uma eventual pressão sobre os preços dos grãos pode levar a novos ajustes ao longo do último quadrimestre do ano.
Por enquanto, no entanto, a expectativa é de estabilidade. Com maior oferta de matéria-prima e preços mais acomodados, o setor aposta que o consumo seguirá em trajetória de crescimento até o fim de 2026.
A melhora no abastecimento reforça essa avaliação. Desde o fim de maio, segundo a Abic, a disponibilidade de café arábica e canéfora (conilon/robusta) passou de um cenário classificado como "seletivo" para uma situação de normalidade, indicando maior oferta de grãos para a indústria.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
