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InvestMercadosCMDT
22/07/2026
3 min

Preço do petróleo atinge máxima de seis semanas e bate US$ 95 o barril

Preço do petróleo atinge máxima de seis semanas e bate US$ 95 o barril

Os preços do petróleo subiram para o nível mais alto em quase seis semanas nesta quarta-feira, 22, com os contratos futuros do tipo Brent ultrapassando a marca de US$ 95 por barril, impulsionados pela escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã e pelas ameaças de navegação no Oriente Médio.

O movimento de alta da commodity sustentou as ações globais do setor de energia, embora os contratos futuros dos índices de Nova York operem em queda, refletindo a cautela dos investidores antes da divulgação dos resultados financeiros de grandes empresas de tecnologia dos EUA.

Enquanto isso, os contratos futuros do petróleo Brent para setembro registraram alta de 4,2%, para US$ 94,83 por barril, após tocarem a máxima da sessão de US$ 95,24. Por volta das 7h52, estavam cotados a US$ 94,24.

Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, subiu 5,2%, para US$ 87,99 por barril, antes de arrefecer e cair para US$ 87,16 por barril no mesmo horário. Ambos os referenciais atingiram seus patamares mais elevados desde 11 de junho.

Os valores foram embalados pela 11ª noite consecutiva de ataques de Washington contra alvos militares no Irã, além de declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de que o Irã não demonstra seriedade nas negociações de paz e de que o Estreito de Ormuz é um ponto crítico de impasse.

Impactos nas rotas de navegação e na oferta

Pelo menos três navios-tanque que transportavam petróleo bruto da Arábia Saudita para a China e a Índia mudaram de rota no Mar Vermelho na terça-feira, 21, desviando-se da costa do Iêmen após ameaças da milícia Houthi, apoiada pelo Irã, de acordo com fontes consultadas pela Reuters.

Analista-chefe de mercado da KCM Trade, Tim Waterer observou, ainda, junto à agência que o Estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho, tornou-se uma via cada vez mais importante para as exportações sauditas à medida que o tráfego por Ormuz diminuiu recentemente.

"O mercado de energia agora enfrenta a preocupação com dois estreitos, com o Estreito de Bab el-Mandeb parecendo prestes a se juntar ao Estreito de Ormuz como um ponto crítico, enquanto operadores monitoram atentamente o movimento de navios no Mar Vermelho", detalhou.

Também surgiram novos riscos para a oferta no Mar Negro, onde o terminal Caspian Pipeline Consortium (CPC) da Rússia interrompeu o recebimento de petróleo do Cazaquistão e suspendeu carregamentos após ataques a navios-tanque, conforme analistas ouvidos pela imprensa internacional.

A manutenção dessa suspensão poderia forçar o Cazaquistão a reduzir sua produção. Por outro lado, no cenário de estoques, dados do American Petroleum Institute (API) indicaram aumento nas reservas de petróleo bruto e de destilados nos EUA na última semana, mas os de gasolina apresentaram queda.

Reflexos na economia e na política monetária

O head de pesquisa global macro e temática do Deutsche Bank, Jim Reid, destacou que o fechamento do Brent acima de US$ 90 por barril pela primeira vez em mais de um mês reviveu as preocupações com a estagflação. "Na ausência de avanços em relação ao Irã, o foco do mercado voltou-se para a inflação nas últimas 24 horas", disse o analista à CNBC.

"Há poucos sinais de alívio nos preços do petróleo."Jim Reid, head de pesquisa global macro e temática do Deutsche Bank

Esse cenário elevou as apostas em medidas mais restritivas por parte do Federal Reserve (Fed), e a probabilidade de um aumento de juros em julho subiu para 26% na terça-feira, enquanto os mercados passaram a precificar uma chance de 69% de uma alta de pelo menos 0,25 ponto percentual em setembro.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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