Preço do petróleo cai 20% em junho com cessar-fogo entre EUA e Irã

O barril de petróleo pode fechar junho com queda de cerca de 20%, pressionado por certo otimismo diante das incertezas sobre o rumo das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Os contratos futuros do Brent subiam 0,20%, cotados a US$ 74,00 o barril, por volta das 8h30 (horário de Brasília).
Ainda assim, caminham para terminar o mês cerca de 20% abaixo do fechamento de 29 de maio. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, cedia 0,04%, a US$ 70,72, apontando para um recuo no mês próximo de 19%.
A confusão em torno de uma possível reunião hoje em Doha, no Catar, resume bem os últimos dias de contradições entre os países. O presidente estadunidense Donald Trump afirmou que o encontro vai acontecer, enquanto o Irã nega oficialmente qualquer agenda marcada.
Doha no centro das atenções e das dúvidas
Na sua rede social Truth Social, Trump disse que o Irã havia "pedido uma reunião" depois de uma troca de ataques entre os dois no fim de semana, e afirmou que o encontro ocorreria já na terça. A versão, porém, não foi confirmada pelo outro lado da guerra, que assola o Oriente Médio desde o fim de fevereiro.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que houvesse qualquer conversa agendada para os próximos dias. O representante iraniano disse que a visita de uma delegação técnica do país ao Catar nesta semana não tem relação com uma eventual reunião com os EUA.
Um cessar-fogo não tão sério assim
Os dois países assinaram, no dia 17 de junho, um memorando de entendimento com 14 pontos para interromper os confrontos que vinham afetando o fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Analistas do setor de energia dizem ter se surpreendido com a velocidade da queda nos preços do petróleo. O ING avaliou que o comportamento sugere que o mercado está tratando o cessar-fogo temporário "como se fosse um acordo permanente", o que, para os estrategistas, "claramente não é o caso".
A instituição lembrou que a situação já mudou rapidamente várias vezes nos últimos quatro meses e ponderou que seria "muito otimista" esperar que um acordo permanente, capaz de resolver a questão nuclear iraniana, seja fechado dentro do prazo de 60 dias estabelecido.
"É claro que sempre existe a possibilidade de o cessar-fogo ser prorrogado, o que, na prática, seria apenas adiar o problema", complementou em fala divulgada pela CNBC.
