Preços de passagens devem seguir altos pelo resto do ano, diz CEO da Latam

Rio de Janeiro* - Os preços das passagens aéreas deverão seguir altos nos próximos meses, mesmo que o conflito no Oriente Médio chegue ao fim, avalia Roberto Alvo, CEO da companhia aérea Latam.
"Eu pessoalmente acredito que, mesmo que o conflito no Oriente Médio terminasse hoje, provavelmente veríamos preços mais altos por algum tempo, pois será necessário recompor os estoques consumidos para manter não só a aviação, mas também o transporte terrestre. Assim, nosso cenário é de que os preços seguirão altos até o fim do ano", disse Alvo, em entrevista coletiva durante a Assembleia Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).
"A situação dos preços tem sido importante e acirrada nos últimos três meses. É um momento em que percebemos que um balanço financeiro forte e um forte crescimento das oportunidades são uma vantagem-chave", prosseguiu.
Sobre eventuais cortes de voos, Alvo disse que ajustes de capacidade são normais em situações como esta. "Vamos continuar garantindo que operamos para liderar o mercado nos próximos anos onde fizer mais sentido", afirmou.
Mais gasto com combustível
Em maio, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, a Latam disse que esperava gastar US$ 700 milhões a mais com combustível no segundo trimestre deste ano por causa da alta no petróleo gerada pela guerra no Irã.
"A Latam prevê despesas adicionais com combustível superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre de 2026, considerando um preço do querosene de aviação de US$ 170 por barril", afirmou a empresa, em comunicado divulgado em 5 de maio.
No primeiro trimestre, houve um impacto adicional para a empresa de US$ 40 bilhões por causa do aumento dos combustíveis.
O querosene de aviação, feito a partir do petróleo, é o principal custo para as empresas aéreas, e responde por cerca de 40% do total. O preço do combustível subiu após a guerra no Irã, que bloqueou a exportação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais do produto.
Na ocasião, a empresa disse que "o impacto nas margens e no fluxo de caixa deverá ser parcialmente compensado por uma série de medidas implementadas desde o início do conflito, incluindo ações de gestão de receita, ajustes de capacidade direcionados, iniciativas adicionais de controle de custos, medidas de liquidez para as finanças e capital de giro, bem como a política de hedge da Latam".
No primeiro trimestre do ano, a Latam reportou lucro Ebtida ajustado de US$ 1,3 bilhão e lucro líquido de US$ 576 milhões, com uma margem operacional ajustada de 19,8%. No período, o grupo aumentou sua capacidade em 10,4% e transportou 22,9 milhões de passageiros, um aumento de 9,1% em comparação com o mesmo período de 2025.
*O repórter viajou a convite da Iata.
