Preços do petróleo caem, mas devem encerrar a semana acima de US$ 100 pela primeira vez em quase 4 meses
Os preços do petróleo estão em queda nesta sexta-feira (11), mas as duas principais referências do mercado caminham para encerrar a semana acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde meados de maio, à medida que o aumento dos ataques ao longo de importantes rotas marítimas no Oriente Médio alimenta temores de uma […]

Os preços do petróleo estão em queda nesta sexta-feira (11), mas as duas principais referências do mercado caminham para encerrar a semana acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde meados de maio, à medida que o aumento dos ataques ao longo de importantes rotas marítimas no Oriente Médio alimenta temores de uma interrupção prolongada no fornecimento.
As referências reduziram todos os ganhos registrados no início do dia e passaram a ser negociadas em baixa hoje, depois que o Financial Times informou que ministros das Relações Exteriores do Oriente Médio estão tentando chegar a um acordo temporário com o Irã para administrar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíam US$ 1,51, ou 1,40%, para US$ 106,10 o barril às 4h51 (horário de Brasília). O petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) caía US$ 1,30, ou 1,27%, para US$ 101,20 o barril.
Ainda assim, as duas referências acumulavam alta superior a 10% na semana — o maior avanço semanal desde a semana encerrada em 17 de julho. Ambas subiram mais de 6% nesta quinta-feira (10).
Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, representando uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho, enquanto o tráfego no Golfo permanece restrito pelo Estreito de Ormuz devido à intensificação dos ataques contra petroleiros na região nos últimos dias.
Ataques vindos do Iêmen contra instalações de energia da Arábia Saudita representaram uma escalada para além do Irã e do Estreito de Ormuz e aumentaram os temores de interrupções prolongadas em uma região mais ampla, segundo analistas.
“Embora volumes significativos ainda estejam passando pelo Estreito de Ormuz, os fluxos permanecem bem abaixo dos níveis anteriores à guerra, ressaltando o quão frágil a situação se tornou”, disseram analistas do ING em uma nota.
Diesel nos EUA ultrapassa US$ 6 por galão
As interrupções no fornecimento de petróleo causadas pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, juntamente com ataques ucranianos às refinarias russas, fizeram com que o preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos ultrapassasse ontem US$ 6 por galão pela primeira vez na história, segundo o monitor de preços GasBuddy.
Ainda assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstrou nenhum sinal de reduzir os ataques contra o Irã. Ele alertou que os Estados Unidos podem atacar o Monte Pickaxe, no Irã, localizado próximo à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, que foi fortemente danificada, mas disse acreditar que a guerra terminaria imediatamente após as eleições de meio de mandato de novembro.
O Irã afirmou ter atacado 10 navios perto do Estreito de Ormuz na quarta-feira, depois que os EUA atingiram cinco petroleiros iranianos. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que intensificaria sua resposta a quaisquer novos ataques.
“Com os acontecimentos saindo de controle e o Irã mostrando que está disposto a ampliar esse conflito tanto quanto possível, em termos de alcance e duração, está se tornando cada vez mais provável que o petróleo WTI volte a testar a máxima de US$ 119,48 registrada no início de março”, disse Tony Sycamore, analista da IG.
Analistas disseram que a sustentabilidade da alta dependerá da China, o maior importador mundial de petróleo bruto. Se a China continuar comprando, isso poderá amplificar o impacto das interrupções no fornecimento e levar os preços ainda mais para cima.
A Opep reduziu sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026 para 380 mil barris por dia, segundo uma cópia de seu relatório mensal, marcando a quinta revisão consecutiva para baixo. A produção de petróleo da Opep caiu 640 mil barris por dia em agosto, segundo uma pesquisa da Reuters.
“A próxima etapa do movimento do petróleo dependerá menos das manchetes e mais de saber se os fluxos físicos melhorarão ou se deteriorarão ainda mais”, disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
“A questão agora é saber se o mercado conseguirá se estabilizar abaixo de US$ 120, ou se uma nova onda de interrupções no fornecimento levará o petróleo bruto a um regime de preços completamente novo.”
