Preços do petróleo sobem com mercado olhando para recuperação da oferta e perspectivas de demanda

Os preços do petróleo avançam mais de 1% nesta terça-feira (7), à medida que os operadores deixaram em segundo plano o alívio das tensões geopolíticas no Oriente Médio e voltaram sua atenção para o aumento da oferta e as perspectivas para a demanda.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 97 centavos, ou 1,35%, para US$ 72,96 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava 90 centavos, ou 1,31%, para US$ 69,45 por barril às 4h49 (horário de Brasília), após ambos encerrarem a segunda-feira (6) em níveis próximos aos registrados antes da guerra com o Irã.
“As medidas voltadas para a recuperação da oferta reduziram o prêmio de risco imediato, mas o mercado continua relutante em depositar confiança excessiva na estabilidade da atual trégua, dada a natureza oscilante das relações entre Estados Unidos e Irã”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade.
“Estaremos atentos aos primeiros sinais de reação da demanda, especialmente da China. O mercado já incorporou grande parte das notícias positivas relacionadas à oferta, de modo que o próximo movimento dos preços do petróleo dependerá de saber se a realidade física corresponderá às manchetes otimistas.”
O presidente Donald Trump afirmou ontem que os Estados Unidos chegarão a um acordo com o Irã ou “concluirão o trabalho”, renovando sua ameaça de ação militar, enquanto Teerã demonstra desafio após o funeral do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Os investidores vêm acompanhando de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o futuro da navegação pelo Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que monitoram a recuperação das exportações de petróleo dos países do Golfo.
Na noite de ontem, a Guarda Revolucionária do Irã disparou pelo menos dois mísseis contra navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, informou o Axios, citando duas autoridades norte-americanas. Segundo a reportagem, as embarcações comerciais sofreram danos significativos, mas não houve vítimas.
Hoje, superpetroleiros de propriedade japonesa transportando petróleo bruto da Arábia Saudita seguiam em direção ao Estreito de Ormuz para deixar o Golfo, mostraram dados de navegação, juntando-se a uma frota de embarcações que havia permanecido retida e que partiu um dia antes.
Apesar do recente aumento na atividade no estreito, a recuperação do fluxo de petróleo está ocorrendo mais lentamente do que o esperado, afirmaram analistas do ANZ em relatório.
“A recuperação inicial do trânsito de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz perdeu força, com o número de embarcações permanecendo em apenas um dígito e sem sinais de uma recuperação sustentada”, disseram.
“Embora o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido os riscos geopolíticos imediatos, os operadores do transporte marítimo continuam cautelosos, limitando a velocidade com que as exportações de petróleo podem retornar aos níveis normais.”
Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos elevaram sua produção de petróleo bruto para mais de 3,8 milhões de barris por dia em junho, o maior nível desde abril de 2020 e acima dos níveis anteriores à guerra com o Irã, após deixarem as cotas de produção da Opep+ em maio, segundo estimativas da Reuters.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados, incluindo a Rússia, concordaram no domingo em elevar novamente suas metas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto, além dos aumentos semelhantes implementados em junho e julho.
A Arábia Saudita reduziu o preço oficial de venda (OSP) de agosto de seu petróleo Arab Light, principal tipo exportado para a Ásia, para US$ 1,50 por barril abaixo da média dos petróleos de Omã e Dubai. A redução foi de US$ 11 em relação ao mês anterior, representando o maior corte em mais de duas décadas, segundo comunicado de preços divulgado nesta segunda-feira pela Saudi Aramco.
