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08/10/2026
3 min

Prefixados tem maior leilão desde dezembro de 2020 — e o ‘trade eleitoral’ está por trás disso

O Tesouro Nacional vendeu R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados nesta quinta-feira (8), no maior volume financeiro desse tipo de operação desde dezembro de 2020. A oferta totalizava 42 milhões de papéis, dos quais 35 milhões eram LTNs e 7 milhões, NTN-Fs. Toda a oferta de LTNs foi absorvida, enquanto cerca de 1,17 milhão de […]

Prefixados tem maior leilão desde dezembro de 2020 — e o ‘trade eleitoral’ está por trás disso

O Tesouro Nacional vendeu R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados nesta quinta-feira (8), no maior volume financeiro desse tipo de operação desde dezembro de 2020.

A oferta totalizava 42 milhões de papéis, dos quais 35 milhões eram LTNs e 7 milhões, NTN-Fs. Toda a oferta de LTNs foi absorvida, enquanto cerca de 1,17 milhão de NTN-Fs ficaram sem colocação, levando o total vendido a 40,8 milhões de títulos.

O movimento, segundo especialistas da área consultados pelo Money Times, foi o terceiro maior leilão em termos de risco neste ano, impulsionado pelo otimismo em relação ao fiscal com uma possível mudança de governo no radar.

Apetite a risco?

De acordo com Sergio Goldenstein, sócio e diretor da Eytse Estratégia, o DV01, o indicador que mede a sensibilidade dos títulos a variações nas taxas, o leilão de hoje foi o terceiro maior do ano (US$ 1,331 milhão), ficando atrás de 29 de janeiro (US$ 1,44 milhão) e de 3 de setembro (US$ 1,35 milhão).

Ele destaca que a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) futuro com vencimento para janeiro de 2032 caiu de 14,07% no ajuste de 2 de outubro para 12,495%, um fechamento de 162 pontos-base em poucos pregões.

“O movimento reflete o maior otimismo com as perspectivas fiscais do próximo governo, que se traduz tanto na expectativa de um ciclo de redução da Selic potencialmente mais longo e intenso quanto na compressão dos prêmios de risco”, detalha.

A leitura do mercado é de que um governo de direita, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito, teria maior probabilidade de implementar um ajuste fiscal crível, o que abriria espaço para mais cortes na Selic e reduziria os prêmios de risco da curva de juros.

Na mesma linha, para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos, o resultado do primeiro turno das eleições levou o mercado a uma reprecificação grande, com queda significativa dos juros e expectativa de que o Tesouro aproveitaria o momento para aumentar as emissões.

“O leilão de NTN-B na terça-feira acabou sendo menor do que o esperado, o que pode ser atribuído ao desempenho pior das NTN-Bs em comparação aos prefixados. Isso ampliou a expectativa de um leilão bem grande hoje”, explica Vital.

Ele observa que os juros abriram em leve alta nesta manhã, com o tom negativo no mercado externo. O leilão do Tesouro frustrou as expectativas, de acordo com Vital.

“Embora tenha sido grande em termos financeiros, foi relativamente menor em risco, porque se concentrou em vencimentos mais curtos. Isso contribuiu para a queda nas taxas a partir das 10h30”, detalha.

Pelos dados da Warren, o financeiro do leilão de NTN-F e LTN foi 84% maior do que o do mesmo período do ano anterior. Já o DV01 foi 164% maior do que o do leilão passado.

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AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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