Pregão atrasado da B3 embaralha Ibovespa: Santander (SANB11 dispara mais de 13%, CSN lidera perdas e investidores correm para recalibrar posições
Pregão começou apenas às 12h30 após problema operacional; veja quem ganhou, quem perdeu e como o atraso mexeu com a dinâmica do mercado

O pregão da B3 desta sexta-feira (31) começou duas horas e meia depois do previsto — e o Ibovespa também precisou correr atrás do tempo perdido. Quando as negociações finalmente foram abertas, às 12h30, investidores tiveram de recalibrar, de uma só vez, o preço de centenas de ações após passarem toda a manhã sem referência para o mercado doméstico.
O resultado foi uma abertura atípica: ordens represadas, volatilidade concentrada nos primeiros minutos e uma bolsa em que poucos papéis dispararam enquanto outros ainda tentavam encontrar um ponto de equilíbrio.
Como uma falha técnica na B3 atrasou a abertura dos negócios, investidores passaram a acompanhar mais os mercados internacionais para definir os preços dos ativos.
No cenário externo, o dólar ganhou força e os juros das Treasurys, títulos de dívida do governo dos EUA, subiram após comentários de dirigentes do Federal Reserve favoráveis a uma alta de juros. Isso pressionou o câmbio e os juros locais.
Apesar desse ambiente mais cauteloso, o Ibovespa avançava pela abertura, apoiado por notícias corporativas, como a oferta do Santander e os resultados de empresas como a Vale. Às 13h, o principal índice da bolsa brasileira subia 0,36%, aos 177.059 pontos.
Os investidores também aguardam a próxima decisão do Copom, com expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14%.
Apesar da instabilidade, quem roubou a cena logo cedo foi o Santander Brasil (SANB11), que liderava com folga os ganhos da bolsa após o anúncio da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela matriz espanhola para comprar a fatia remanescente dos acionistas minoritários.
Do outro lado, a CSN (CSNA3) aparecia na ponta negativa, enquanto ações como Vale (VALE3) repercutiam seus resultados do segundo trimestre.
Santander Brasil (SANB11) domina altas do Ibovespa após anúncio da OPA
As units do Santander Brasil saltavam 13,15% na primeira hora efetiva de negociações, refletindo o ajuste das cotações aoprêmio oferecido pela controladora espanhola na OPA pelos cerca de 10% do capital que ainda não controla.
Como mostrou o Seu Dinheiro ao longo da manhã, o mercado já esperava uma forte correção de preços para aproximar SANB11 da relação de troca proposta pelo Grupo Santander. O atraso da abertura apenas concentrou esse movimento em um único momento.
Depois do Santander, os ganhos do Ibovespa eram bem mais modestos e espalhados entre empresas ligadas ao consumo e à indústria.
Veja as maiores altas do Ibovespa às 13h05:
- Santander Brasil (SANB11): +13,15%
- Azzas 2154 (AZZA3): +1,83%
- Vivara (VIVT3): +1,41%
- Raia Drogasil (RADL3): +1,32%
- PRIO (PRIO3): +1,15%
- Bradesco (BBDC4): +1,14%
- WEG (WEGE3): +1,03%
- Sabesp (SBSP3): +0,99%
O Bradesco (BBDC4) também figurava entre as maiores altas, poucos dias após anunciar um aumento de capital de até R$ 10 bilhões. Itaú Unibanco (ITUB4) avançava 0,63%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) registrava alta mais discreta, de 0,24%, contribuindo para sustentar o desempenho positivo do índice.
CSN lidera as perdas do Ibovespa; Vale repercute balanço
Na ponta negativa, a CSN (CSNA3) liderava as baixas do Ibovespa, com queda de 3,64%.
Também figuravam entre as maiores perdas Cosan (CSAN3), Marfrig (MRFG3), Motiva (MOTV3), Hypera (HYPE3), Magazine Luiza (MGLU3), Smart Fit (SMFT3) e Braskem (BRKM5).
Outro destaque do dia era a Vale (VALE3), que recuava 0,76% após divulgar um balanço em que o lucro líquido caiu 35% no segundo trimestre de 2026.
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O que aconteceu com a B3 hoje?
Segundo a B3, a abertura atrasada foi provocada por uma intercorrência operacional em um dos componentes tecnológicos do ambiente de pós-negociação.
A bolsa afirmou que decidiu postergar o início das negociações como medida preventiva, em alinhamento com os participantes do mercado.
"A medida teve como principal objetivo preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado", informou a companhia.
Mas a decisão mexeu com a dinâmica da sessão. Em vez de distribuir ordens ao longo de toda a manhã, investidores concentraram compras e vendas em uma única abertura, aumentando a volatilidade e deixando diversos ativos em leilão mesmo após o início das negociações.
Com pouco mais de quatro horas para negociar o que normalmente seria feito em seis horas e meia, o mercado passou a operar sob uma lógica diferente — e a expectativa é que a volatilidade continue elevada até o fechamento do pregão.
*Com informações do Broadcast.
