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Mundo
31/07/2026
3 min

Premiê espanhol atribui crise migratória a 'máfias de tráfico humano'

Pedro Sánchez associou a chegada de centenas de imigrantes marroquinos, que chegaram nadando ao enclave espanhol de Ceuta, na África do Norte, ao tráfico humano

Premiê espanhol atribui crise migratória a 'máfias de tráfico humano'

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, associou nesta sexta-feira, 31, a crise migratória no enclave de Ceuta a uma "interpretação tendenciosa" por parte de "máfias do tráfico humano" de uma recente decisão judicial sobre a repatriação de migrantes que chegam por mar.

Sánchez afirmou que "nos últimos dias houve uma disseminação nas redes sociais, por meio dessas máfias, de uma interpretação tendenciosa" de uma decisão do Supremo Tribunal espanhol.

Segundo a decisão judicial, "aqueles que entram em nosso território a nado, por mar, não têm direito à repatriação", explicou à mídia o líder espanhol, acrescentando que essa "interpretação tendenciosa" é o que "se espalhou como fogo em palha nas últimas horas".

Na interpretação do Supremo, a devolução automática só pode ocorrer quando o imigrante ultrapassa um elemento físico de contenção, como um muro ou uma cerca. Como não existe uma barreira desse tipo no mar, os que entram nadando devem passar pelo procedimento migratório ordinário.

Furo legal

Esse processo inclui identificação, entrevistas e eventual pedido de asilo, o que alimentou a percepção de que a entrada marítima ofereceria maiores chances de permanência. Sánchez afirmou que as máfias usaram essa leitura de forma interessada para incentivar a travessia.

Durante uma visita a Ceuta, o premiê classificou o episódio como uma violação da integridade territorial da Espanha. Sánchez disse que o governo está mobilizando todos os recursos necessários para recuperar o controle da situação.

Como resposta imediata, o governo anunciou a instalação de uma barreira física no mar, com boias no quebra-mar de Tarajal. A medida pretende delimitar visualmente a fronteira e facilitar futuras repatriações.

Sánchez também informou que trabalha para acelerar o retorno dos estrangeiros que entraram irregularmente, especialmente os que chegaram durante o pico da crise. Segundo o Ministério do Interior, mais de 37 mil imigrantes já voltaram para Marrocos, com a entidade sugerindo números de até 150 deportações por minuto.

Segurança

A Espanha reforçou ainda a presença de forças de segurança em Ceuta, com o apoio de militares e de unidades especiais da polícia. As autoridades locais alegam que os centros de acolhimento estão sobrecarregados.

Marrocos, por sua vez, endureceu os controles na fronteira com a África e passou a cooperar com Madrid para conter novas entradas. Os dois governos afirmam que atuam conjuntamente para promover o retorno rápido dos imigrantes em situação irregular.

A crise reacendeu o debate político sobre a legislação migratória espanhola. O Partido Popular pediu mudanças na Lei de Estrangeiros para permitir devoluções imediatas também no caso de entradas marítimas.

Além da disputa interna, o episódio voltou a tensionar a relação entre a Espanha e o Marrocos, embora o governo Sánchez evite responsabilizar diretamente Rabat. Analistas apontam que a redução da vigilância marroquina e a decisão do Supremo foram fatores centrais no aumento repentino das travessias.

Com informações da AFP

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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