Presidente da Starbucks Brasil: '90% dos nossos líderes começaram como baristas'
Com 35 novas lojas previstas para este ano, Starbucks aposta na promoção interna para formar líderes e preservar a cultura da companhia

Entrar na Starbucks Brasil como barista pode ser o primeiro passo para chegar à liderança da companhia. Essa é a principal aposta da rede de cafeterias para sustentar sua expansão no Brasil.
Para Mariane Wiederkehr, presidente da Starbucks Brasil, cerca de 90% dos líderes da empresa iniciaram a carreira trabalhando nas lojas, movimento que a companhia considera fundamental para preservar sua cultura organizacional enquanto acelera o ritmo de crescimento.
"Hoje, por exemplo, na abertura das novas lojas, 90% dos gerentes são promovidos dentro de casa. Isso reforça a cultura, que é muito importante, e garante consistência operacional", afirma a executiva em entrevista ao De Frente com CEO, da EXAME.
A estratégia ganha ainda mais importância em um momento de forte expansão. A Starbucks pretende abrir 35 novas lojas em 2026 e mais do que dobrar sua operação brasileira em cerca de um ano e meio. Para sustentar esse crescimento, a empresa aposta menos na contratação de gestores prontos no mercado e mais no desenvolvimento de profissionais que começaram atendendo clientes atrás do balcão.
Não existe um plano de carreira engessado
Ao contrário de muitas empresas que trabalham com etapas e prazos definidos para promoções, a Starbucks afirma adotar um modelo mais flexível.
Não existe um plano de carreira rígido, segundo Wiederkehr, em que o funcionário sabe exatamente quando será promovido. O crescimento acontece conforme desempenho, engajamento e aderência à cultura da companhia.
"É uma empresa que cresce e as oportunidades estão aqui. Tem muito a ver com o engajamento, a determinação de cada um. A gente quer pessoas que sonhem grande, tenham foco em resultado, mas que também tenham esse jeito Starbucks de fazer as coisas."
A presidente explica que um profissional pode iniciar como barista, assumir uma gerência de loja, tornar-se responsável por um distrito inteiro ou migrar para áreas corporativas como marketing, operações, finanças ou recursos humanos.
"Esse é o principal motor de carreira. Uma pessoa começa como barista e, alguns anos depois, pode ser gerente de loja, gerente de distrito ou estar no corporativo ajudando em diversas áreas."
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Todo funcionário começa aprendendo a fazer café
Independentemente da função, todos os profissionais passam pela formação de barista ao ingressar na Starbucks.
O treinamento vai muito além do preparo das bebidas, segundo Wiederkehr. O objetivo é fazer com que todos entendam a cadeia completa do café, desde o cultivo até a xícara entregue ao cliente.
"Não interessa se você trabalha em finanças, RH ou marketing. Todos fazem a formação de barista," diz.
A própria executiva passou pelo treinamento ao assumir a presidência da operação brasileira. Além da formação nas lojas, ela também foi treinada em uma fazenda de café da Starbucks na Costa Rica para conhecer toda a cadeia produtiva.
"Eu sinto muito orgulho de dizer que sou barista. Fiz toda a formação para entender desde o grão até a xícara."
Esse conhecimento comum, segundo a presidente, ajuda a fortalecer a identidade da empresa e aproxima executivos da operação.
Cultura antes dos resultados
A valorização da operação aparece também na forma como a Starbucks define sua cultura.
A empresa construiu sua reputação colocando os funcionários das lojas no centro das decisões, diz Wiederkehr.
"A gente fala que tudo começa e termina com os nossos partners de avental verde."
É por isso que, segundo ela, todas as reuniões importantes da empresa começam com uma degustação de café, independentemente da área dos participantes.
"O ritual é o mesmo para todo mundo. A gente honra o nosso produto e conhece profundamente aquilo que entrega para o cliente."
A frase que melhor resume a cultura da Starbucks, segundo a executiva, foi criada por Howard Schultz, responsável por transformar a empresa em uma das maiores redes de cafeterias do mundo.
"Somos uma empresa de pessoas que serve café, e não uma empresa de café servindo pessoas."
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Expansão abre novas oportunidades
A promoção interna também acompanha o crescimento acelerado da companhia.
A Starbucks planeja abrir 35 novas unidades neste ano, concentrando a maior parte delas em São Paulo, mas também retomando a expansão em mercados como Belo Horizonte e Zona Sul do Rio de Janeiro.
Cada nova loja exige novos gerentes e líderes operacionais, cargos que, na maior parte dos casos, são ocupados por profissionais promovidos dentro da própria empresa.
Essa estratégia reduz o tempo de adaptação das equipes e mantém vivo o principal diferencial da marca: a experiência oferecida ao cliente, afirma Wiederkehr.
"Quando alguém cresce dentro da Starbucks, leva junto a nossa cultura. Esse é um dos nossos maiores ativos."
O perfil que a Starbucks procura
Com dezenas de novas vagas previstas para acompanhar a expansão, a presidente afirma que experiência anterior em cafeterias não é o principal requisito.
Mais importante do que dominar técnicas de preparo é gostar de lidar com pessoas e estar disposto a aprender sobre o universo do café.
"Gostamos de pessoas que gostam de conectar, que gostam de clientes e que estão abertas a aprender sobre esse mundo maravilhoso que é o mundo do café."
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