Presidente do Fed avalia reduzir número de reuniões que definem taxa de juros, diz jornal
O modelo atualmente em vigor foi adotado em 1981, durante a gestão de Paul Volcker à frente do banco central americano

O presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, avalia reduzir a quantidade de reuniões anuais destinadas à definição dataxa de juros do país. A proposta foi discutida durante o encontro realizado nesta semana, segundo quatro fontes com conhecimento das conversas ouvidas pelo New York Times. Procurado pelo jornal, o Fed não comentou o assunto.
Atualmente, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) se reúne oito vezes por ano, em intervalos de aproximadamente seis semanas, para decidir se eleva, reduz ou mantém os juros da maior economia do mundo.
De acordo com o New York Times, uma eventual alteração no calendário pode ser aprovada antes da próxima reunião do comitê, prevista para meados de setembro, embora a implementação da mudança deva ocorrer posteriormente.
Mudança importante
Caso seja adotada, a redução no número de encontros representará uma das transformações mais significativas na estrutura operacional do Fed em décadas. Com menos reuniões ao longo do ano, a autoridade monetária teria menor capacidade de responder rapidamente a mudanças na inflação, no mercado de trabalho e em outros indicadores econômicos. Além disso, investidores e agentes do mercado passariam a contar com menos sinalizações oficiais sobre os rumos da política monetária americana.
A proposta integra um esforço mais amplo de Kevin Warsh para reformular a forma como o Fed se comunica e conduz suas atividades. Desde que assumiu o comando da instituição, em maio, ele já promoveu mudanças na divulgação das decisões de política monetária, reduzindo a extensão dos comunicados e limitando os detalhes sobre sua avaliação da economia. Entre as medidas analisadas, também está a possibilidade de diminuir a frequência das entrevistas coletivas realizadas após as reuniões do Fomc.
A legislação dos Estados Unidos determina que o comitê se reúna pelo menos quatro vezes por ano. Mesmo assim, o Fed mantém a prerrogativa de convocar encontros extraordinários em situações de crise ou diante de eventos inesperados que exijam uma resposta rápida da política monetária. Durante sua audiência de confirmação no Senado, realizada em abril, Warsh afirmou que um calendário com apenas quatro reuniões anuais seria insuficiente para atender às necessidades da instituição.
O modelo atualmente em vigor foi adotado em 1981, durante a gestão de Paul Volcker à frente do banco central americano, e permanece praticamente inalterado desde então. Antes dessa mudança, o Fomc chegou a se reunir quase todos os meses e realizava encontros adicionais sempre que as condições econômicas exigiam uma atuação mais frequente.
Com informações de O Globo
