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InvestMercados
29/07/2026
5 min

Presidente do Fed não descarta alta de juros para corrigir inflação excessiva

Em coletiva nesta quarta, 29, Kevin Warsh afirmou ainda que a decisão de manter os juros estáveis representa apenas uma etapa de um processo mais amplo e não uma "pausa"

Presidente do Fed não descarta alta de juros para corrigir inflação excessiva

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, tentou afastar a ideia de que a decisão desta quarta-feira, 29, de manter os juros americanos inalterados representa uma pausa no ciclo de política monetária. Segundo o chairman, amanutenção da taxa básica no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, divulgada hoje, foi resultado de uma análise mais ampla sobre o cenário econômico e os desafios que o banco central terá pela frente.

"Eu não caracterizaria o que fizemos como uma pausa. Eu caracterizaria o que fizemos como uma revisão rigorosa da situação econômica", afirmou Warsh durante a coletiva de imprensa após a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).

"Eu caracterizaria o que fizemos como uma revisão das grandes questões difíceis e como uma reflexão sobre qual é a nossa tarefa para tentar resolver essas questões no período que se avizinha", complementou.

O presidente do Fed afirmou ainda quea decisão de manter os juros estáveis representa apenas uma etapa de um processo mais amplo. "Eu diria que isso é o começo da história, não o fim da história", disse.

Warsh ainda ressaltou que o aumento das taxas de juros "poderiam muito bem fazer parte dessa solução" caso a inflação continuasse alta e não caísse.

"Essa foi a discussão nos últimos dois dias. É esse o remédio dominante se a inflação continuar elevada durante o período de projeção? As taxas de juros poderiam muito bem fazer parte dessa solução. Mas eu não diria que é isoladamente", afirmou.

"Tentei descrever em minhas observações de hoje um ponto que fiz aos comitês de supervisão: há algumas semanas, acho que houve uma impressão equivocada por parte de alguns nos mercados financeiros, famílias e empresas de que banqueiros centrais como eu estabelecemos uma meta de inflação de 2%, mas talvez fôssemos mais tolerantes com uma meta um pouco mais alta... O que ouvi nos últimos dois dias, o que tenho ouvido em oito semanas e meia, é: não. Nós entregaremos a meta de inflação de 2%", destacou.

A decisão do FOMC era esperada pela maior parte do mercado e marcou a quinta reunião consecutiva sem alteração na taxa. Apesar disso, o encontro revelou uma divisão maior entre os dirigentes da autoridade monetária americana. Nove membros votaram pela manutenção dos juros, enquanto três defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4%.

Votaram contra a decisão de manter os juros Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan. A divergência reforçou a preocupação de parte do comitê com a inflação ainda acima da meta de 2%.

"Discussão em família" e divergências dentro do Fed

Warsh também destacou o debate interno durante a reunião e classificou a conversa entre os integrantes do FOMC como uma "discussão em família". Segundo a autoridade monetária, o comitê não evitou os temas mais difíceis relacionados à condução da política monetária.

"Eu pedi uma boa discussão em família, e foi o que tive", afirmou. "A maior parte da nossa conversa girou em torno das grandes questões que importam para a condução da política monetária. Não nos esquivamos delas. Não tivemos medo delas. Houve muito mais interação entre os meus colegas. Foi uma verdadeira discussão em família".

O presidente do Fed afirmou que a reunião foi marcada por um debate sobre os principais desafios econômicos, incluindo os efeitos dos últimos anos de inflação elevada, os choques que atingiram a economia global e o impacto dos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Segundo Warsh, o banco central iniciou "um novo capítulo" e não pretende abandonar o compromisso com a estabilidade de preços. Em seu pronunciamento inicial, ele reforçou que a meta de inflação do Fed permanece em 2%.

"Não há meta de inflação flexível. Não há meta implícita flexível. Não enquanto este comitê estiver no comando. Há apenas uma meta, e ela é de 2%", afirmou.

O presidente do BC dos EUA acrescentou que operíodo de inflação acima da meta não pode ser revertido rapidamente. "Iniciamos um novo capítulo e compreendemos que os mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser sanados em nove semanas ou por um único mês de modestas quedas nos preços", disse.

"Este Fed não vacilará. Nossa credibilidade depende do cumprimento de nossas funções e de nossas responsabilidades".

Fed discute inflação, juros e impacto da IA

Durante a coletiva, Warsh destacou que uma das principais mudanças desde a última reunião foi o movimento dos juros no mercado. O chairman citou que os rendimentos nominais e reais dos títulos do Tesouro americano subiram de forma significativa em toda a curva.

"Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar com a bola, e não com o árbitro", afirmou, destacando a mudança como positiva por reduzir a dependência dos investidores em relação às previsões do banco central.

Outro ponto destacado por Warsh foi o crescimento dos investimentos empresariais, especialmente em tecnologia e inteligência artificial. Segundo o presidente do Fed, os gastos de capital em equipamentos e softwares ligados à IA apresentam taxas de crescimento trimestrais próximas de 20%, ajudando a sustentar a produção industrial.

Apesar do avanço dos investimentos, ele ressaltou que ainda há dúvidas sobre os efeitos desses movimentos sobre a economia. "O momento exato e a magnitude dos efeitos sobre o lado da oferta continuam difíceis de prever", afirmou.

AutorClara Assunção
FonteExame
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