Previ defende troca no comando do conselho da Vale (VALE3) e diz que mudança reforça independência da companhia: entenda a disputa

A Previ saiu em defesa da proposta para substituir Daniel Stieler no Conselho de Administração da Vale (VALE3) e afirmou nesta terça-feira (23) que a iniciativa está alinhada ao seu papel de investidora institucional e ao fortalecimento da governança da mineradora.
Em comunicado, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil afirmou que a eventual substituição de Daniel Stieler faz parte de um “processo natural de renovação” e ocorre em um contexto de maior demanda do mercado por independência e robustez institucional.
Segundo a entidade, a indicação de José Maurício Pereira Coelho ao conselho e o apoio ao nome de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do colegiado estão alinhados ao modelo de corporation adotado pela companhia e à busca por uma governança “sólida, independente e livre de interferências”.
A manifestação ocorre poucos dias após o Conselho de Administração da Vale aprovar a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a destituição de Stieler, atual presidente do colegiado, atendendo a um pedido da própria Previ. A assembleia deverá ser realizada nas próximas semanas.
A proposta prevê a substituição de Stieler pelo ex-presidente da Previ José Maurício Pereira Coelho, que ocuparia uma cadeira no conselho até o fim do atual mandato, em abril de 2027. O fundo também declarou apoio ao nome de Ollie para assumir a presidência do colegiado.
Atualmente, Daniel Stieler acumula as funções de conselheiro e presidente do Conselho de Administração da Vale. Ex-presidente da Previ durante o governo Jair Bolsonaro, ele integra o colegiado da mineradora e tem mandato até abril de 2027.
Para substituí-lo, o fundo indicou José Maurício Pereira Coelho, que presidiu a Previ entre 2018 e 2021 e também comandou o Conselho de Administração da Vale entre 2019 e 2021. Em seu comunicado, a entidade destacou que Coelho participou da implementação de iniciativas voltadas ao fortalecimento da independência do colegiado, incluindo a criação da figura do Lead Independent Director (LID), responsável por representar os conselheiros independentes.
Já para a presidência do conselho, a aposta da Previ é Ollie. Atual ocupante do cargo de LID da Vale, ele é apontado pelo fundo como um nome técnico, independente e com experiência internacional para liderar o próximo ciclo de renovação da governança da companhia.
A disputa, porém, ganhou um terceiro personagem nos últimos dias. Atual vice-presidente do Conselho de Administração da Vale, Marcelo Gasparino também se colocou como candidato à presidência do colegiado caso os acionistas aprovem a saída de Stieler. Com isso, a assembleia poderá definir não apenas a permanência do atual chairman, mas também quem comandará o conselho até a próxima renovação prevista para 2027.
Entenda a disputa na Vale
Apesar de ter aprovado a convocação da AGE, o conselho da Vale não endossou os argumentos apresentados pela Previ para justificar a saída antecipada de Stieler. Durante a reunião que analisou o pedido, houve divergências entre conselheiros sobre os fundamentos apresentados pelo fundo. Ao final, prevaleceu o entendimento de que caberá aos acionistas decidir se as justificativas são suficientes para interromper o mandato do atual presidente antes do prazo previsto.
A disputa marca mais um capítulo das discussões sobre governança na Vale, que ganharam força nos últimos anos com a transformação da companhia em uma corporation, sem controlador definido. Historicamente, a Previ exerceu forte influência na mineradora, sendo um dos principais acionistas desde a privatização e ocupando, por diversas vezes, a presidência do conselho.
Esse protagonismo começou a diminuir a partir da reorganização societária da companhia, mas voltou ao centro das atenções neste ano. Em fevereiro, o presidente da Previ, Márcio Chiumento, assumiu uma cadeira no Conselho de Administração da Vale após a saída de João Fukunaga, reforçando a presença do fundo no principal fórum de decisão da mineradora.
A Previ detém cerca de 10% do capital da Vale e segue como o principal acionista individual da companhia.
Em seu comunicado desta segunda-feira, o fundo afirmou que pretende respeitar a decisão dos acionistas e reiterou que não tem a intenção de indicar futuros presidentes do conselho, declarando que apoiará candidatos independentes na renovação do colegiado prevista para 2027.
A palavra final sobre a permanência de Stieler e sobre os rumos da liderança do Conselho de Administração ficará com os acionistas da mineradora na assembleia convocada para discutir o tema.
