Prévia do 2° trimestre da Vale agrada investidor e ação sobe mais de 3%

A prévia operacional da Vale (VALE3) para o segundo trimestre de 2026 foi recebida de forma majoritariamente positiva pelo mercado, o que explica a alta de 3,60% das ações da companhia nesta quarta-feira, 22, logo na primeira hora de negociação. Embora a mineradora tenha mostrado perda de prêmio no minério de ferro e queda na produção de pelotas, bancos e casas de análise destacaram a consistência operacional da companhia, o desempenho acima das expectativas em vendas e o avanço da divisão de metais básicos, especialmente cobre.
No relatório divulgado na noite de terça-feira, 21, a Vale informou que produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho, alta de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018. As vendas cresceram 3,1%, para 79,7 milhões de toneladas, impulsionadas pela venda de estoques e pelo aumento da produção.
O recorde foi sustentado principalmente pelo complexo S11D, no Pará, que produziu 23,4 milhões de toneladas, além do avanço dos projetos Capanema e VGR1, ainda em ramp-up, fase de aceleração.
Por outro lado, o prêmio all-in do minério de ferro caiu para US$ 4,4 por tonelada, uma redução de US$ 1,8 em relação ao trimestre anterior. Segundo a companhia, a queda reflete a maior participação de produtos de médio teor no mix de vendas. A produção de pelotas também recuou 7%, para 7,3 milhões de toneladas, devido à paralisação temporária das plantas de Omã em meio ao conflito no Oriente Médio.
Resultados foram 'ligeiramente positivo', diz XP
Apesar desses pontos, a leitura predominante entre os analistas foi de que os resultados operacionais vieram ligeiramente acima das expectativas.
Para a XP, o relatório foi "ligeiramente positivo" e reforçou a execução operacional consistente da mineradora. A corretora elevou em cerca de 5% sua projeção de Ebitda ajustado para o segundo trimestre, para aproximadamente US$ 3,9 bilhões, após incorporar volumes de vendas maiores do que o esperado para minério de ferro, pelotas e níquel, além de preços realizados mais elevados para cobre e níquel.
"Operacionalmente, a Vale entregou mais um trimestre sólido, com a produção de minério de ferro atingindo o maior nível para um segundo trimestre desde 2018, enquanto Metais Básicos continuou apresentando crescimento saudável A/A", disse a XP.
Ainda assim, a corretora manteve recomendação neutra para a ação, citando pressões de custos e o nível atual de valuation, embora veja fundamentos mais fortes para o cobre e melhores preços dos metais sustentando os papéis que até a sessão desta terça registravam uma valorização quease que nula.
"Dito isso, apesar da performance relativamente mais fraca das ações nos últimos meses, acreditamos que fundamentos mais fortes para o cobre e a melhora dos preços dos metais devem continuar oferecendo suporte nos níveis atuais", acrescentou a corretora.
Bancos elevam projeção de Ebitda
O Safra também revisou para cima suas estimativas. O banco elevou sua projeção de Ebitda para cerca de US$ 3,9 bilhões, aproximadamente 2,5% acima do consenso do mercado. A revisão foi motivada principalmente pelos embarques maiores de pelotas, níquel e cobalto e pelos preços realizados do cobre, que vieram acima do esperado.
Na avaliação do banco, a produção de minério ficou em linha com as expectativas, enquanto os preços do minério permaneceram praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior. O Safra também destacou a retomada parcial das operações em Omã no fim de junho e classificou osresultados da divisão de cobre e níquel como sólidos, impulsionados pelos recordes em Salobo, Long Harbour e Onça Puma.
O Itaú BBA também classificou a prévia como positiva e elevou em 5,5% sua projeção de Ebitda do trimestre, para cerca de US$ 3,83 bilhões.
Segundo o BBA, o principal destaque foi o desempenho comercial da companhia. As vendas de minério de ferro avançaram 16% em relação ao trimestre anterior, favorecidas pela sazonalidade e pelo consumo de estoques. Ao mesmo tempo, cobre e níquel apresentaram aumento tanto nos volumes vendidos quanto nos preços realizados.
Na visão do banco, foi justamente a combinação de volumes maiores e preços melhores no cobre que justificou a revisão para cima das estimativas. A instituição também chamou atenção para a resiliência dos preços do minério de ferro, apesar da compressão do prêmio de qualidade.
"O trimestre também foi marcado pela resiliência dos preços realizados do minério de ferro, com os preços dos finos praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior e os preços dos pelotas mais altos em relação ao trimestre anterior", afirmou o banco.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) também enxergou mais um trimestre de execução consistente da Vale. Para o banco, o grande destaque foi o cobre, tanto pelos volumes produzidos quanto pelos preços realizados, que superaram as expectativas.
A instituição estima um potencial de alta de 3% a 4% sobre suas projeções para os resultados do trimestre e afirma que o desempenho operacional foi plenamente compatível com o guidance anual da companhia.
Embora reconheça que os investidores ainda devam acompanhar a evolução dos custos e possíveis atualizações nas projeções da empresa, o BTG manteve recomendação de compra para as ações.
Na avaliação do banco, a recente correção dos papéis abriu um ponto de entrada mais atrativo e o mercado ainda subestima o potencial da divisão de metais básicos.
"A Vale espera praticamente dobrar a capacidade de produção de cobre para cerca de 500 quilotoneladas até 2030, com potencial para atingir cerca de 700 quilotoneladas até 2035, o que a colocaria entre
os maiores produtores mundiais de cobre (o que ainda não está precificado no mercado, nem de longe)", disse o BTG.
"No entanto, as ações ainda são negociadas em grande parte como um título exclusivamente de minério de ferro, a 4,2x EV/EBITDA de 2026 e oferecendo um rendimento de dividendos de 8% a 9%", acrescentou.
Para João Daronco, analista da Suno Research, o dado mais importante da prévia não foi o volume de minério de ferro, mas "a consistência da virada operacional em todos os três segmentos".
Segundo o analista, o trimestre marcou o melhor segundo trimestre de produção de minério de ferro desde 2018, de cobre desde 2017 e de níquel desde 2020, mostrando que a companhia conseguiu manter o ritmo de execução.
Em sua avaliação, a queda na produção de pelotas não representa deterioração operacional. "É um efeito pontual e geograficamente isolado, não uma deterioração operacional", afirma, referindo-se à suspensão temporária das plantas de Omã.
Mas o analista também reconhece que há pontos de atenção para o segundo semestre, como a parada de 110 dias do moinho SAG de Sossego, prevista para começar em agosto, além das incertezas envolvendo Omã. Ainda assim, avalia que esses fatores não comprometem a trajetória da companhia.
"Esta prévia reforça exatamente a tese que sustentamos em VALE3, uma companhia cada vez menos monoproduto de minério de ferro, com os metais básicos deixando de ser promessa para virar geração de caixa concreta. O trimestre mostra confiabilidade operacional e flexibilidade. O case de longo prazo segue intacto e, na margem, mais robusto", conclui.
