Prévia do PIB e decisões de juros no Brasil e EUA: o que move os mercados

Esta quarta-feira, 17, concentra as atenções dos investidores no evento mais importante da semana: a chamada "superquarta", quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária.
Depois de um pregão marcado pela cautela, com queda do Ibovespa, avanço do dólar e realização de lucros de parte das principais bolsas americanas, o mercado entra em compasso de espera para os comunicados que devem definir o rumo dos ativos nas próximas semanas.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), enquanto, no Brasil, os investidores acompanham a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Mais do que as decisões em si, o foco estará nos sinais que as autoridades monetárias darão sobre os próximos passos da política monetária em um cenário ainda marcado por incertezas fiscais, inflação persistente e mudanças no ambiente geopolítico internacional.
Antes das decisões dos bancos centrais, a agenda econômica traz uma série de indicadores que ajudarão a calibrar as expectativas dos investidores ao longo do dia.
O que acompanhar no Brasil e no exterior
O dia começa com dados de inflação na Europa. Às 3h, o Reino Unido divulga os números de maio do índice de preços ao consumidor (CPI) e de seu núcleo, métricas acompanhadas de perto pelo mercado para avaliar os próximos movimentos do Banco da Inglaterra. Mais tarde, às 6h, será a vez da Zona do Euro publicar os dados consolidados de inflação e núcleo da inflação referentes ao mesmo período.
No Brasil, o principal destaque da manhã será o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de abril, divulgado pelo Banco Central às 9h. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador é acompanhado pelo mercado como um termômetro do ritmo de crescimento do país.
Em março, o índice havia registrado queda de 0,67% na comparação mensal, mas ainda acumulava alta de 3,07% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nos Estados Unidos, a agenda ganha força a partir das 9h30, com a divulgação das vendas no varejo de maio. O indicador é uma das principais medidas do consumo das famílias americanas e pode oferecer pistas importantes sobre o fôlego da economia em meio aos juros elevados. Às 11h, saem os dados de vendas de moradias existentes, outro termômetro relevante da atividade econômica.
O mercado também acompanhará os estoques semanais de petróleo divulgados pelo Departamento de Energia americano, às 11h30. O dado ganha relevância em um momento em que os preços da commodity voltaram a recuar com a perspectiva deavanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
Fed e Copom no centro das atenções
O ponto alto da sessão será a decisão do Federal Reserve, marcada para as 15h. Além da definição sobre a taxa de juros, os investidores acompanharão a divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e do chamado dot plot, documento que reúne as projeções dos dirigentes do banco central americano para inflação, crescimento, desemprego e juros.
Na sequência, às 15h30, o presidente do Fed, Kevin Warsh, concede entrevista coletiva sobre a decisão, a primeira dele como presidente. O tom de suas declarações pode ser tão importante quanto a decisão em si, especialmente para calibrar as apostas sobre possíveis cortes de juros nos Estados Unidos nos próximos meses.
No Brasil, a expectativa fica para o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), previsto para as 18h30. Pelo consenso apurado pela EXAME, omercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
Mercado chega à superquarta em clima de cautela apesar do alívio geopolítico
A expectativa pelas decisões de juros dominou os negócios na véspera. OIbovespa encerrou o pregão de terça-feira, 16, em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos, pressionado principalmente pela forte desvalorização do petróleo com o acordo para o fim da guerra no Irã e pelo desempenho negativo das ações da Petrobras.
O recuo da commodity ocorreu após avanços nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. O Brent caiu mais de 5% e voltou a ficar abaixo dos US$ 80 por barril, movimento que afetou empresas ligadas ao setor de energia e contribuiu para a realização de lucros na bolsa brasileira.
No câmbio, o dólar avançou 0,39% e fechou cotado a R$ 5,0867, refletindo tanto o enfraquecimento das moedas de países exportadores de commodities quanto as preocupações dos investidores com o cenário fiscal doméstico.
Em Wall Street, o desempenho foi misto. O Dow Jones renovou recordes históricos de fechamento, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram diante da realização de lucros nas ações de tecnologia. O movimento reforçou o clima de espera que antecede a decisão do Fed.
Além da agenda econômica, investidores também acompanham o noticiário político e institucional no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta o julgamento sobre o Marco Civil da Internet, que discute a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por terceiros.
Embora o tema tenha impacto mais concentrado sobre o setor de tecnologia, a decisão é observada pelo mercado por seus potenciais efeitos regulatórios sobre as grandes empresas de internet que atuam no país.
