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Sacre Investimentos
EmpresasACS
09/07/2026
3 min

Prévias colocam construtoras sob pressão, mas Empiricus segue firme em ação ‘queridinha’; veja qual delas está barata na visão da casa

Prévias colocam construtoras sob pressão, mas Empiricus segue firme em ação ‘queridinha’; veja qual delas está barata na visão da casa

A Empiricus Research segue vendo a Direcional Engenharia (DIRR3) como uma das alternativas mais interessantes entre as incorporadoras listadas em bolsa, destacando que a companhia apresenta um múltiplo historicamente ainda mais atrativo após ter passado por correção recente.

Pelas contas da casa, os papéis da construtora negociam perto de 6 vezes o lucro (P/L) estimado para 2027 e oferecem combinação de execução operacional consistente, exposição ao segmento econômico e geração de caixa.

Em relatório, Caio Nabuco de Araujo, analista da casa de análise, apontou que as ações das incorporadoras registraram queda relevante nos últimos pregões e interromperam um movimento de forte desempenho observado nos últimos dois meses.

Segundo ele, desde abril, o setor vinha superando o mercado com alguma folga, especialmente entre as companhias mais expostas ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que foram beneficiadas por uma combinação de resultados sólidos, boa percepção sobre demanda e expectativa de dividendos.

No entanto, de acordo com o analista, o início da temporada de divulgação das prévias operacionais do segundo trimestre de 2026 (2T26) trouxe uma leitura mais mista para as empresas.

“Ainda que os números não indiquem uma deterioração estrutural da demanda, alguns pontos específicos ficaram abaixo das expectativas e serviram como gatilho para uma realização de lucros mais intensa”, disse.

Tenda, Cury e Moura

Entre as construtoras que já divulgaram suas prévias operacionais, Araujo apontou que a Tenda (TEND3) reportou, entre abril e junho, distratos acima do esperado, impactados por um efeito pontual relacionado a um empreendimento com licença ambiental ainda em discussão.

Além disso, ele ponderou que a companhia registrou recuo na velocidade de vendas (VSO), reflexo da estratégia de reprecificação dos imóveis ao longo do trimestre, com foco na preservação de margens em meio a um ambiente de maior pressão de custos.

“Ainda assim, os números gerais foram saudáveis, o que sugere manutenção da disciplina comercial e capacidade de repasse”, ressaltou.

No caso da Cury (CURY3), o analista afirmou que a prévia também veio marginalmente inferior às expectativas, com desaceleração da VSO em relação ao mesmo período de 2025.

Na outra ponta, porém, destacou que a geração de caixa permaneceu robusta, reforçando a tese de boa capacidade de distribuição de dividendos.

Quanto à Moura Dubeux (MDNE3), Araujo pontuou que, além da conjuntura setorial mais desafiadora, já que a construtora é focada no médio e alto padrão, a menor participação em projetos de incorporação voltados ao segmento econômico e o consumo de caixa, desconsiderando a alienação de recebíveis, podem ter contribuído para uma leitura mais cautelosa pelo mercado.

“Nossa leitura é que o movimento recente [de queda das ações] reflete, em grande parte, uma combinação de realização de lucros após forte valorização relativa e prévias operacionais com sentimento misto, mais do que uma mudança estrutural na tese das incorporadoras de baixa renda”, afirmou.

“O ambiente segue exigindo seletividade, especialmente diante de múltiplos que já haviam se expandido em algumas companhias”, prosseguiu.

Funding aumenta preocupação sobre construtoras

Além dos fatores operacionais, as discussões envolvendo fontes de financiamento (funding) também elevaram a percepção de risco para as incorporadoras, de acordo com o analista.

Ele lembrou que uma eventual utilização de recursos do FGTS para finalidades não imobiliárias e as contestações envolvendo títulos privados isentos, que também funcionam como fonte relevante de funding para o setor, adicionando incertezas ao custo futuro do crédito.

“Qualquer mudança regulatória nesse sentido poderia encarecer o financiamento imobiliário e reduzir a atratividade marginal”, afirmou.

AutorMoney Times
FonteSeu Dinheiro
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