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Sacre Investimentos
Economia
27/08/2026
3 min

Primeira cirurgia cerebral com assistência de inteligência artificial da história resulta em remoção de tumor

Sistema de inteligência artificial funcionou como um “segundo par de olhos” para os médicos durante procedimento inédito

Primeira cirurgia cerebral com assistência de inteligência artificial da história resulta em remoção de tumor

Um paciente britânico se tornou o primeiro do mundo a passar por uma cirurgia cerebral com assistência de inteligência artificial ao vivo. Com a ajuda da tecnologia, os cirurgiões do Hospital da Universidade College de Londres (UCLH) puderam remover o tumor do paciente, Rhys Hibbert, com sucesso.

Há um ano e meio atrás, Hibbert tinha uma vida relativamente comum: dois filhos, era gerente de atendimento ao cliente e era saudável. Inclusive, ele tinha o costume de fazer uma caminhada de cerca de 3 km todos os dias na hora do almoço.

Durante uma dessas caminhadas, no entanto, ele perdeu a consciência e convulsionou. Após realizar um exame cerebral, Hibbert descobriu que tinha um tumor benigno de 11 mm, o tamanho de uma bola de gude, na glândula pituitária (hipófise).

Tumores e anomalias já são, na maioria das vezes, um problema. A grande questão é que a do paciente estava muito próxima das artérias carótidas, que fornecem sangue ao cérebro, e dos nervos ópticos, responsáveis pela visão.

Conforme o tumor cresceu, ele começou a pressionar os nervos ópticos, fazendo com que a visão periférica de Hibbert fosse reduzindo.

Cada cérebro é diferente e não existe um manual de instrução específico. E foi aí que a inteligência artificial entrou para ser a assistência que os cirurgiões precisavam.

Como uma inteligência artificial auxiliou uma cirurgia cerebral

A cirurgia consistiu na inserção de um endoscópio, uma câmera fina acoplada a uma haste, através do nariz até a base do crânio.

O tumor estava escondido atrás de camadas de osso e de uma membrana resistente. Com a incerteza sobre a anatomia, era difícil determinar o local mais seguro para removê-lo.

Além disso, as taxas de complicação variam, mas havia entre 25% e 50% de chance de não conseguir remover totalmente o tumor e entre 0,5% e 2% de risco de danificar um grande vaso sanguíneo.

Enquanto a cirurgia acontecia, a IA analisou a transmissão de vídeo e orientou os cirurgiões sobre como evitar vasos sanguíneos e nervos cerebrais cruciais que não eram visíveis diretamente.

A tecnologia é semelhante ao reconhecimento facial usado em smartphones, mas, em vez de rostos, identifica estruturas anatômicas importantes e frequentemente ocultas.

Graças à ajuda, os médicos conseguiram remover a maior quantidade possível do tumor com segurança.

Robôs vão dominar os hospitais?

Em média, um cirurgião britânico realiza entre 10 e 20 operações desse tipo por ano, baseando-se principalmente em exames de imagem feitos antes da cirurgia para compreender a anatomia do paciente.

Ferramentas de IA já são, relativamente, comuns no meio. Porém, o diferencial da usada na cirurgia de Hibbert é que ela funciona em tempo real.

"Ela foi treinada com mais operações do que a maioria dos cirurgiões vê ou realiza durante toda a vida profissional e pode funcionar como um segundo par de olhos especializado", afirmou o professor Hani Marcus à BBC.

Apesar de ser “uma mão na roda”, a equipe destacou que o papel da IA é auxiliar o processo enquanto os cirurgiões mantêm controle total da operação.

O objetivo de longo prazo é desenvolver um tipo de "ChatGPT para cirurgiões", para que exista:

"Outro especialista na sala, ao qual os médicos possam recorrer em busca de aconselhamento quando desejarem, ou ignorá-lo caso discordem", explicou o professor.

Com o sucesso da primeira utilização em uma cirurgia real, a equipe está trabalhando em um estudo maior para avaliar o uso do sistema em mais pacientes.

*Com informações da BBC.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

AutorMaisa Leme
FonteSeu Dinheiro
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