Prio (PRIO3) pode pagar 21% em dividendos no próximo ano, segundo o Itaú BBA, que elevou recomendação para compra
Banco de investimentos destaca melhora na relação risco-retorno das ações PRIO3 e exposição atrativa aos preços do petróleo

A Petrobras (PETR4) é a principal escolha do Itaú BBA dentre as petroleiras de cobertura do banco de investimentos. No entanto, a ação que brilhou na última revisão de preços-alvos da instituição financeira foi outra: a Prio (PRIO3).
O relatório assinado por Monique Greco sinaliza a elevação de recomendação para Prio de neutro para outperform — o que é equivalente a compra —, afirmando que o perfil de risco-retorno para a ação PRIO3 ficou mais atrativo.
A recomendação baseia-se nos níveis de preços do petróleo. O banco revisou suas projeções para refletir um mercado de petróleo bem abastecido. O barril Brent, referência para as petroleiras, deve valer US$ 65 no longo prazo, ante uma estimativa de US$ 70 anteriormente.
Com isso, a Prio se apresenta como a ação que oferece uma exposição atrativa para valorização caso os preços do petróleo se mantenham nos níveis atuais. O preço atual dos papéis considera o Brent em aproximadamente US$ 61 por barril, segundo o relatório.
Para o BBA, a ação da Prio "suporta retornos para os acionistas acima de 20% em cenários mais conservadores de preços de commodities" — que é exatamente o que o banco espera.
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Os dividendos e a ação da Prio
A "vaca leiteira" do setor de óleo e gás é a Petrobras.
Mas isso pode mudar.
Existe uma forte expectativa entre os analistas de que a Prio deverá instituir uma política formal de dividendos e começar a distribuir seus lucros a partir de 2027.
A administração da empresa já havia assumido esse compromisso em teleconferência de resultados do primeiro semestre, indicando que no segundo semestre mais informações seriam dadas. Mas não aconteceu ainda.
Entretanto, o Itaú BBA já incorporou esses pagamentos às suas projeções, com os valores atrelados à diminuição do endividamento da empresa e o preço do petróleo.
As projeções apontam para 21% de dividend yield em 2027, assumindo o petróleo a US$ 60 o barril e a alavancagem a uma vez a dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Caso a cotação do petróleo seja maior, de US$ 70, e o endividamento caia para 0,8 vezes a dívida líquida pelo Ebitda, os rendimentos com dividendos podem chegar a 25%.
Porém, o banco reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 para R$ 73 por ação, frente a projeção anterior de R$ 74 ao fim de 2026. Agora, o potencial de valorização das ações é de 20% frente o preço atual na casa dos R$ 60.
E a Petrobras?
A Petrobras continua sendo a principal escolha do Itaú BBA entre as petroleiras, "dada sua maior resiliência em um cenário de preços de petróleo mais baixos e sua capacidade de se beneficiar de uma margem de refino mais forte", diz o relatório.
De modo geral, a equipe do banco diz que continua esperando dividendos na casa dos dois dígitos em diversos cenários de preços do petróleo e baixa margem na operação de refino.
Por exemplo, considerando os preços do Brent a US$ 73 o barril, o BBA estima que a Petrobras poderia entregar um dividend yield de aproximadamente 12% em 2027, "mesmo que a empresa precifique os combustíveis no limite inferior da sua faixa de referência de política de preços".
O preço-alvo para 2027 é de R$ 63 na ação preferencial (PETR4), o que implica um potencial de valorização de quase 50% frente à cotação atual na casa dos R$ 42.
