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Sacre Investimentos
EmpresasACS
12/06/2026
4 min

Privatização da Copasa (CSMG3) movimenta R$ 8,4 bilhões e vira a página da companhia. Agora, o que esperar da nova fase?

Privatização da Copasa (CSMG3) movimenta R$ 8,4 bilhões e vira a página da companhia. Agora, o que esperar da nova fase?

A privatização da Copasa (CSMG3) finalmente saiu do papel — e em grande estilo. Uma das maiores operações do mercado de capitais brasileiro dos últimos anos movimentou cerca de R$ 8,38 bilhões apenas no lote principal da oferta pública que marcou a transferência do controle da companhia para a iniciativa privada.

Somando etapas anteriores da desestatização, a operação renderá R$ 13,9 bilhões aos cofres do governo de Minas Gerais, segundo o Valor Econômico.

As ações foram precificadas a R$ 49,03, acima do piso de R$ 47,23 estabelecido pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), sinalizando demanda suficiente para sustentar a operação acima do valor mínimo exigido.

  • Leia também: Copasa disparou com privatização, mas vencedora do leilão ficou para trás. Chegou a hora de aproveitar essa distorção

A oferta secundária envolveu a venda de ações detidas pelo governo mineiro, quejá havia negociado uma parcela relevante da companhia anteriormente com a Equatorial (EQTL3), em uma transação de R$ 5,6 bilhões.

Com a conclusão da operação, o Estado de Minas Gerais deixa de ser controlador da companhia e passa a deter aproximadamente 5% do capital social, além de manter uma golden share — que preserva determinados direitos especiais previstos na legislação e no estatuto da empresa.

A operação foi coordenada por BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB e encerra um processo que vinha sendo acompanhado de perto pelo mercado por seu potencial de transformar uma das maiores companhias de saneamento do país em uma empresa de capital pulverizado.

Após a liquidação da oferta, cerca de 64,6% das ações da Copasa permanecerão em circulação no mercado.

Segundo a companhia mineira agora privatizada, os investidores poderão negociar as ações movimentadas no follow-on de desestatização a partir da segunda-feira (15), com a liquidação da transação agendada para o dia seguinte (16).

Equatorial entra como principal sócia da nova Copasa (CSMG3)

Se a privatização marca o fim do controle estatal, ela também inaugura a entrada definitiva da Equatorial como uma das protagonistas da nova fase da companhia.

Antes mesmo da precificação da oferta, a Equatorial informou que sua subsidiária Gerais Saneamento havia sido selecionada como investidora de referência da operação.

Pela estrutura desenhada para a privatização, a gigante de energia garantiu uma participação mínima de 30% no capital da Copasa, se consolidando como uma das principais acionistas da companhia mineira após a conclusão da oferta.

A participação está condicionada à adesão aos instrumentos previstos na operação, incluindo acordo de acionistas, acordo de não concorrência e restrições para transferência de ações.

Além da fatia mínima assegurada, a Gerais Saneamento também solicitou uma alocação adicional equivalente a 12,6% do capital social da empresa. O volume efetivamente recebido será conhecido após a conclusão da distribuição das ações.

Segundo a Equatorial, o investimento está alinhado à estratégia de expansão da companhia no setor de saneamento, amplia sua presença na região Sudeste e reforça a diversificação geográfica dos negócios.

O que atraiu os investidores para a oferta da Copasa

Durante o roadshow realizado com investidores antes da operação, a Copasa apresentou uma tese centrada em crescimento, previsibilidade regulatória e ganhos de eficiência que poderiam ser acelerados em um ambiente de gestão privada.

A companhia argumentou que a nova estrutura acionária pode funcionar como catalisadora de melhorias na governança corporativa, maior disciplina na alocação de capital e expansão estrutural das margens ao longo dos próximos anos.

Um dos principais pilares da tese foi a terceira revisão tarifária da companhia. A revisão elevou o reajuste tarifário para 6,56% e passou a incorporar mecanismos considerados importantes para o setor.

Isso inclui a inclusão anual dos investimentos na base regulatória e o reconhecimento de juros durante a construção dos ativos.

Na avaliação da empresa, essas mudanças aumentam a previsibilidade dos retornos e fortalecem os incentivos para a expansão da infraestrutura de saneamento.

Universalização segue como principal avenida de crescimento da Copasa privatizada

Outro ponto destacado pela Copasa foi a visibilidade de longo prazo proporcionada pela renovação da concessão de Belo Horizonte até 2073 e pelo avanço do processo de regionalização do saneamento em Minas Gerais.

Atualmente, a Copasa já atende mais de 99% da população de sua área de atuação com abastecimento de água.

Para a companhia, o principal espaço para expansão está na coleta e tratamento de esgoto. Hoje, a cobertura alcança 80,4% da população atendida, ainda abaixo da meta regulatória de 90% estabelecida pelo marco legal do saneamento para 2033.

Na visão da empresa, o avanço rumo à universalização deverá sustentar um ciclo relevante de investimentos nos próximos anos, ampliando a base regulatória de ativos e criando novas oportunidades de crescimento.

*Com informações do Money Times.

AutorSeu Dinheiro
FonteSeu Dinheiro
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