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InvestMercadosCMDT
10/07/2026
3 min

Produção de petróleo se recupera em junho, mas guerra derruba demanda global

Produção de petróleo se recupera em junho, mas guerra derruba demanda global

A produção mundial de petróleo aumentou 4,1 milhões de barris por dia em junho, alcançando 98,8 milhões de barris diários, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 10, pela Agência Internacional de Energia (IEA).

O avanço foi impulsionado pela retomada parcial das exportações pelo Golfo Pérsico, mas a produção global ainda está cerca de 9,4 milhões de barris por dia abaixo do patamar registrado antes da guerra entre Estados Unidos e Irã.

No mesmo relatório, a IEA estima que a demanda global de petróleo deve registrar sua primeira queda anual desde a pandemia de Covid-19. A entidade projeta um recuo médio de 1 milhão de barris por dia em 2026, após o consumo atingir seu ponto mais baixo em maio.

Apesar da retração anual, a agência afirma que a demanda começou a se recuperar nas últimas semanas, impulsionada pelo aumento sazonal do consumo durante o verão no hemisfério norte. Outro fator foi a liberação da demanda reprimida à medida que o abastecimento de combustíveis foi normalizado durante a trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no meio de junho e suspensa nesta semana.

As projeções indicam que a contração anual da demanda diminuirá de 4,8 milhões de barris por dia no segundo trimestre para 1,7 milhão no terceiro trimestre. No último trimestre de 2026, o consumo deverá voltar a crescer, avançando 1,2 milhão de barris por dia em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a IEA, o mercado deve recuperar o ritmo apenas em 2027, quando a demanda global deverá aumentar 2 milhões de barris por dia. Ainda assim, o crescimento acumulado dos dois anos ficará abaixo da média histórica.

Mercado segue pressionado pela guerra

A IEA atribui boa parte da volatilidade do mercado ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio.

O cessar-fogo temporário firmado em junho entre Irã e EUA permitiu a retomada parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, provocando uma queda acentuada dos preços do petróleo bruto durante o mês. Agora, porém, os ataques voltaram a ocorrer no país asiático e Donald Trump afirmou que não tem mais interesse em um acordo com Teerã, mas que irá "terminar o trabalho".

O barril de referência do Mar do Norte chegou a cair para cerca de US$ 68, abaixo do nível registrado antes da guerra. No entanto, a retomada dos confrontos nos dias 7 e 8 de julho elevou novamente as cotações para aproximadamente US$ 77 por barril.

Segundo a agência, a continuidade da recuperação do mercado depende da normalização definitiva do tráfego marítimo na região de Ormuz. Caso isso não ocorra, o cenário previsto de superávit de petróleo a partir do fim de 2026 poderá não se concretizar.

Oferta cresce, mas combustíveis seguem escassos

Enquanto o petróleo bruto voltou a circular com mais intensidade, os combustíveis refinados continuam enfrentando restrições. Refinarias exportadoras do Oriente Médio ainda não retomaram plenamente suas operações, enquanto ataques ucranianos à infraestrutura russa reduziram a capacidade de refino e agravaram a escassez de diesel e gasolina.

Como consequência, as margens de refino atingiram os maiores níveis em quatro anos no início de julho.

A IEA também informou que os estoques globais de petróleo cresceram pela primeira vez em quatro meses durante junho, impulsionados principalmente pelo aumento do volume transportado por navios, embora os estoques em terra tenham continuado em queda.

Segundo a agência, a estabilização do mercado dependerá de uma redução duradoura das tensões no Golfo. Sem um acordo de paz permanente, o processo de normalização da oferta e da demanda continuará sujeito a riscos elevados.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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