Projeto cripto quer que todos possam criar seus próprios mercados preditivos

O projeto cripto Rain Protocol acabou de estrear a plataforma de mercados preditivos Rain Trade, avançando no objetivo de permitir que qualquer usuário crie sua própria versão de contratos para prever eventos do mundo real.
Em entrevista à EXAME, Roy Shaham, CEO do Rain Protocol, afirmou que a ideia do projeto é fornecer a infraestrutura tecnológica para que desenvolvedores criem os seus próprios mercados preditivos.
Isso, em tese, permitiria plataformas com características mais específicas e mais adaptadas aos lugares em que operam. “Nós não estamos fazendo a curadoria do mercado. Sabemos que o que interessa a alguém na República Democrática do Congo é diferente do que interessa a alguém nos EUA”, diz Shaham.
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No Brasil, os mercados preditivos foram proibidos pelo governo federal em abril deste ano sob a justificativa de que eles funcionam como plataformas de apostas online disfarçadas.
Mercados preditivos versus Bets
Em mercados preditivos como os famosos Polymarket e Kalshi, o usuário pode comprar e vender contratos que correspondem à possibilidade de algo ocorrer. O usuário ganha dinheiro no vencimento caso o evento se concretize, mas também pode vender antes e lucrar se o mercado estiver enxergando uma probabilidade maior daquilo acontecer do que quando ele comprou.
Shaham diz que apesar dessas plataformas estarem proibidas no Brasil, desenvolvedores locais ainda podem querer criar seus próprios mercados preditivos e é por isso que atualmente a Rain expõe sua solução no país.
Mesmo assim, o executivo critica a visão do governo brasileiro de que mercados preditivos são casas de apostas não regulamentadas. Shaham argumenta que essas plataformas são ferramentas para construir informações relevantes sobre o mundo de maneira alternativa às pesquisas de opinião tradicionais.
“É um fenômeno de descoberta de futuro. Mercados preditivos criam a capacidade de analisar melhor a probabilidade de um evento ocorrer do que era possível antes”, afirma. “É um pouco visionário, mas estamos só no começo e quero empoderar todo mundo a fazer sua própria versão disso, sem depender totalmente de Kalshi e Polymarket.”
As chamadas Bets, por sua vez, teriam intuito distinto na opinião do executivo. “Jogos de azar são fechados contra o consumidor e focados apenas no elemento de diversão”, comenta.
Uso de blockchain
Questionado sobre as críticas aos casos frequentes de insider trading e manipulação nos mercados preditivos, Shaham diz que sua plataforma tem como princípio geral que os desenvolvedores sejam justos com seus futuros clientes, mas não detalhou de que modo isso será garantido pelas regras do protocolo.
O Rain Protocol roda no blockchain Arbitrum, uma rede se segunda camada do Ethereum criada para trazer mais velocidade e eficiência às transações.
Shaham diz que a decisão de construir sua platadorma em uma rede de registro descentralizado, ao contrário do que faz a Kalshi, por exemplo, é dar maior transparência para o mercado.
“Plataformas centralizadas fazem casos de muito sucesso, mas dependem da confiança dos consumidores. Em blockchain está tudo disponível para as pessoas verificarem”, defende.
