Projeto pioneiro no Tocantins usa energia solar e amplia em 25% a produção de alimentos

Em Miracema do Tocantins, a produção de hortaliças que chega às famílias atendidas pela Associação Aliança para um Futuro Melhor (Aliar) começa em uma horta que depende de energia elétrica para funcionar.
Bombas, sistemas de refrigeração, iluminação e irrigação precisam operar continuamente e o custo é alto para a comunidade que está em situação de vulnerabilidade.
Foi para driblar esse desafio que a organização passou a contar com um sistema de geração de energia solar instalado em seu viveiro de mudas.
O projeto Sonho, Luz e Raiz, desenvolvido pela EDP em parceria com a Revolusolar, foi inaugurado este mês e prevê ampliar em até 25% a produção de hortaliças a partir da redução dos gastos com eletricidade.
Com oito placas solares, o sistema tem capacidade instalada de 4,92 kWp e pode gerar cerca de 400 kWh por mês.
A expectativa é que a estrutura garanta até 95% de autossuficiência energética e gere uma economia aproximada de R$ 400 mensais.
Na prática, a redução dos custos vai liberar recursos para fortalecer as atividades mantidas pela Aliar. Atualmente, a horta hidropônica produz mais de 20 mil mudas anuais de hortaliças, como alface, rúcula e coentro.
Parte da produção é destinada às famílias atendidas e o excedente é comercializado na região.
A renda obtida com as vendas também traz impacto social: os recursos são utilizados para a compra de cestas básicas destinadas às mulheres responsáveis pelo cultivo e manutenção da horta.
O projeto combina geração de energia renovável e produção agrícola em uma solução conhecida como agrivoltaica: o modelo integra sistemas fotovoltaicos e atividades de cultivo.
Além da instalação dos equipamentos, a iniciativa prevê a capacitação de lideranças locais para operação e manutenção do sistema, com o objetivo de ampliar a autonomia local.
Para a EDP, a experiência em Miracema faz parte de uma agenda de iniciativas voltadas à transição energética com impacto social.
A empresa e a Revolusolar pretendem acompanhar indicadores como economia de energia, aumento da produção agrícola, redução de custos operacionais, emissões evitadas de carbono, melhoria do microclima e uso do espaço.
Segundo os idealizadores, a expectativa é que os resultados do piloto possam contribuir para o desenvolvimento de modelos semelhantes em outras comunidades.
