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Mundo
20/10/2026
4 min

Protestos na França impulsionam campanha de Marine Le Pen à presidência

A menos de seis meses da eleição, candidata da extrema direita tenta capitalizar diante do caos provocado por manifestações que tiveram registros de violência

Protestos na França impulsionam campanha de Marine Le Pen à presidência
RESUMO +

A França enfrenta protestos violentos nesta terça-feira, 20, após a insatisfação com cortes no orçamento evoluir para reivindicações por menor custo de vida; centenas de pessoas foram presas e cerca de mil policiais ficaram feridos. A crise ocorre a menos de seis meses do fim do segundo mandato de Emmanuel Macron e alimenta a disputa política entre Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon.

A França vive uma turbulência provocada por protestos violentos que começaram com a insatisfação popular por cortes no orçamento e, agora, exigem redução nos custos de vida para a população. Centenas de pessoas foram presas nas manifestações e cerca de mil policiais ficaram feridos.

O país enfrenta uma realidade de toques de recolher em algumas cidades e o governo reavalia a estratégia para conter a confusão nas ruas. As reivindicações sobre a inflação em contas domésticas se transformou em protestos também em outros países, como Portugal, Bélgica e Albânia.

Na França, a agitação social também gera impactos políticos em uma nação que em menos de seis meses colocará fim à era de Emmanuel Macron à frente do Palácio do Eliseu. O atual presidente não pode se candidatar de novo, já que terá cumprido dois mandatos consecutivos.

Diante dos registros de violência, a candidata da direita, Marine Le Pen, afirmou que "reivindicações sociais legítimas foram feitas reféns pela extrema esquerda". Jean-Luc Mélenchon, opositor de Le Pen, apoia o movimento, mas chegou a dizer no início que se tratava de um ato pacífico.

Ogoverno francês responsabilizou nesta terça-feira, 20, a esquerda por um plano de insurreição na onda de violência.

Para o professor de Relações Internacionais da FAAP e FGV, Vinícius Rodrigues Vieira, Le Pen consegue capitalizar em cima dos protestos porque o partido dela (União Nacional, em tradução livre) tem como 'epíteto a lei e a ordem, a ideia de que face à desordem, à instabilidade, é necessário ter um governo forte, um governo nacionalista'.

De acordo com o levantamento divulgado nesta terça, 20, do instituto Ifop-Fiducial para a LCI, a candidata Marine Le Pen venceria todos os cinco cenários hipotéticos testados em porcentagem dos votos válidos.

A política apresenta sua vantagem mais ampla em um eventual embate direto contra Jean-Luc Mélenchon, no qual alcançaria 68% dos votos, contra 32% do adversário. Nas demais simulações, Le Pen mantém a liderança majoritária constante, oscilando entre 56% e 59% da preferência do eleitorado.

Entre os possíveis oponentes, Edouard Philippe apresenta a margem mais estreita contra Le Pen, obtendo 44% dos votos frente aos 56% da candidata. Na sequência de competitividade, Raphaël Glucksmann registra 43% contra 57% de Le Pen, enquanto Gabriel Attal atinge 42% diante de 58% da líder.

Por fim, na hipótese de uma disputa contra o ex-presidente François Hollande, Le Pen também sairia vitoriosa com 59% dos votos, limitando Hollande a 41% da preferência.

Disputa pelo eleitorado jovem

Omovimento nas ruas de Paris e outras grandes cidades francesas é dominado pelos jovens, insatisfeitos também com a infraestrutura muitas vezes precárias de escolas e outras instituições de ensino. Esse público, segundo Vinícius, tende a apoiar a esquerda de Mélenchon. Mesmo assim, ele afirma que como Macron é de centro, 'a novidade para o mais jovem pode estar tanto à esquerda quanto à direita'. 

O professor diz que Le Pen vai conseguir capitalizar o descontentamento dos mais jovens, não tanto dos estudantes, 'mas principalmente daqueles mais jovens que não conseguem emprego e dos mais jovens franceses brancos, não dos descendentes de imigrantes'. 

Protestos contra alta no custo de vida da França terminaram com depredação e incêndios, nas ruas de Paris

Modelo em crise

A Europa, de forma geral, enfrenta a escassez de recursos energéticos após ter cortado o fornecimento de gás natural da Rússia, altos custos de produção e de manutenção do chamado Estado do bem-estar social. Tudo isso em um momento em que governantes do continente precisam aumentar gastos com defesa, em meio à ameaça russa no leste europeu e uma presença americana cada vez mais fraca na garantia da segurança do continente.

Vinícius Rodrigues Vieira afirma que 'enquanto a Europa era relativamente rica e tinha a sua proteção paga pelos Estados Unidos, era fácil investir em seguridade social, em boas escolas'. Segundo ele, 'gastos militares maiores vão implicar necessariamente numa redução de gastos sociais'.

Vinícius diz que há uma crise desse modelo europeu. Segundo ele, os europeus não têm outra saída se não aceitar níveis ou menores de crescimento, ou de proteção social. 'Mas eles querem ambos. Crescimento e proteção social, riqueza individual e um estado bastante provedor. Infelizmente, a equação do capitalismo contemporâneo não parece permitir isso', afirma o professor.

'Perguntas frequentes'

AutorDiego Pavão
FonteExame
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