'Provavelmente atacaremos o Irã de novo esta noite', diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 8, que os americanos deverão fazer novos ataques ao Irã esta noite, horas após afirmar que considera o cessar-fogo como encerrado.
"Nós os atacamos de forma muito dura ontem à noite, muito, muito dura, e provavelmente vamos os atacar duramente de novo esta noite", disse Trump a jornalistas, ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Mais cedo nesta quarta-feira, Trump disse considerar que o acordo de cessar-fogo com o Irã estava acabado, após os dois países voltarem a trocar ataques.
"Para mim, acabou. Não quero negociar com eles. São pessoas doentes", disse Trump ao ser questionado sobre o futuro do entendimento entre os dois países.
O republicano ainda afirmou que o Irã seria "escória, um povo doente".
Trump, no entanto, não descartou manter negociações. "Eu vou falar com os nossos negociadores. Eles querem negociar. "Mas, até onde eu sei, é perda de tempo", completou o presidente.
A declaração foi feita poucas horas depois de Washington retomar bombardeios contra alvos iranianos. Segundo os Estados Unidos, os novos ataques foram uma resposta a supostas ações iranianas contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz.
Em retaliação, Teerã informou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, além de afirmar que parte do acordo de cessar-fogo firmado no mês passado se tornou "ineficaz" diante das medidas adotadas por Washington.
Petróleo sobe e tensão aumenta
A nova escalada militar elevou os preços do petróleo ao maior nível em duas semanas e voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado.
A passagem concentra cerca de20% do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e o fluxo de navios permanece reduzido desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a revogação da licença para exportação de petróleo, anunciada na terça, e os novos ataques americanos inviabilizam parte doacordo firmado em junho.
O governo também voltou a alertar países da região para que não permitam o uso de seus territórios como base para novas ofensivas dos Estados Unidos.
Conflito domina cúpula da Otan
A escalada no Oriente Médio dominou o primeiro dia da reunião da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, classificou a resposta militar americana como "absolutamente necessária" diante das violações do cessar-fogo atribuídas ao Irã.
Líderes europeus também discutem alternativas para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, enquanto França e Reino Unido avaliam uma missão naval conjunta na região.
Durante a cúpula, Trump voltou a criticar aliados europeus por, segundo ele, não apoiarem os Estados Unidos durante o conflito com o Irã. O presidente americano também anunciou que pretende interromper relações comerciais com a Espanha, ampliando o clima de tensão entre Washington e parceiros da Otan.
