Quais ações comprar com Lula reeleito? Citi lista 10 nomes
Banco avalia que resultado eleitoral reforça preocupações com a política fiscal, as estatais e a agenda de reformas

RESUMO +
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25, provocou forte queda nos mercados nesta segunda-feira, 26, com recuo de 10% do Ibovespa e acionamento do circuit breaker. O banco Citi afirma que o resultado contrariou as expectativas dos investidores e selecionou dez ações com potencial de desempenho relativo superior.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial provocou uma reação negativa nos mercados nesta segunda-feira, 26, e reforçou as preocupações dos investidores com a política fiscal, as empresas estatais e a agenda de reformas do país. Em relatório divulgado nesta manhã, o Citi avalia que o resultado contrariou as expectativas do mercado e destaca dez ações que, na avaliação do banco, podem apresentar desempenho superior em termos relativos neste cenário.
A reação foi imediata. No início da manhã, as ADRs da Petrobrassão negociadas na Bolsa de Nova Iorque com os códigos PBRA (ações preferenciais) e PBR (ações ordinárias), negociadas nos Estados Unidos, caíam 23% no pré-mercado, segundo o relatório.
Na bolsa brasileira, a pressão vendedora levou o Ibovespa a recuar 10% em relação ao fechamento anterior, acionando o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia de covid-19 e suspendendo as negociações no mercado à vista por 30 minutos, de acordo com as regras da B3.
Para o Citi, a vitória de Lula reforça a assimetria de risco de queda que o banco já havia identificado em sua pesquisa pré-eleitoral. O levantamento apontava que os investidores esperavam uma reação negativa significativamente mais intensa em caso devitória do petista do que a valorização projetada no cenário alternativo.
No relatório, intitulado “O que a vitória de Lula significa para os mercados nesta semana”, o banco também destaca que a eleição registrou a menor taxa de abstenção desde o retorno das eleições presidenciais diretas, em 1989.
"Notavelmente, esta eleição registrou a menor taxa de abstenção desde o retorno do Brasil às eleições presidenciais diretas em 1989, ressaltando o forte engajamento dos eleitores e conferindo legitimidade ao resultado", afirmou o banco no relatório.
As dez ações selecionadas pelo Citi
Apesar da perspectiva negativa para o mercado como um todo, o banco avalia que as ações escolhidas em sua carteira para ocenário de vitória de Lula estão posicionadas para apresentar desempenho superior em termos relativos. A seleção foi divulgada no início de outubro, antes do segundo turno, como parte de uma estratégia baseada em diferentes cenários eleitorais.
A lista reúne empresas de setores distintos. Entre as dez ações, sete têm recomendação de compra: Cury, Embraer, BTG Pactual, Axia, Copel, Bradesco Saúde e Ultrapar. WEG e Caixa Seguridade têm recomendação neutra, enquanto Gerdau completa a seleção com recomendação de compra.A avaliação não significa necessariamente que essas ações terão valorização absoluta em um pregão de queda generalizada, mas que, na visão do banco, poderão apresentar desempenho melhor do que o restante do mercado em termos relativos.
Resultado eleitoral e reação da bolsa
O Lula venceu o segundo turno realizado no domingo, 25, com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL). O presidente reverteu a desvantagem de 2,2 milhões de votos registrada na primeira etapa da eleição, quando o senador havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista.
A virada foi acompanhada por uma ampliação da votação de Lula em diferentes regiões do país, com destaque para o Nordeste e Minas Gerais, onde o presidente conseguiu inverter o resultado do primeiro turno.
A reação negativa dos mercados nesta segunda-feira ocorre em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre os rumos da política econômica. No caso da Bolsa, a queda levou ao acionamento do mecanismo de interrupção temporária das negociações da B3.
O circuit breaker é acionado quando o Ibovespa recua 10% em relação ao fechamento anterior e suspende as operações por 30 minutos. Após a reabertura, uma queda de 15% pode provocar uma nova interrupção, desta vez por uma hora. Se o recuo atingir 20%, a bolsa pode suspender os negócios por um período a ser definido.
A paralisação desta segunda-feira é a 24ª da história do mecanismo, segundo o levantamento divulgado pela B3. Antes do episódio atual, a última sequência de interrupções havia ocorrido em março de 2020, durante a turbulência provocada pela pandemia. Por volta das 10h40, o principal índice acionário voltou a abrir e caía 16,54%.
