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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
18/09/2026
5 min

Quais ações podem ir bem independentemente de quem vencer as eleições

O BTG Pactual mantém Brasil neutro e aposta em ações de qualidade e liquidez; Eleven vê oportunidades também em renda fixa e fundos imobiliários

Quais ações podem ir bem independentemente de quem vencer as eleições

A eleição presidencial de 2026 entrou no radar dos investidores como um dos principais fatores capazes de definir o rumo dos ativos brasileiros nos próximos meses. Para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a disputa está tão acirrada que o resultado hoje é praticamente uma "moeda ao ar".

Diante dessa incerteza, a estratégia do BTG é evitar empresas cujos resultados dependam excessivamente de uma melhora fiscal e priorizar papéis que possam se sair bem tanto em umaeventual vitória do candidato à reeleição quanto da oposição.

"Consideramos que a eleição está muito acirrada para se prever o resultado", afirma o banco no relatório "LatAm LineUp – Mantendo o Brasil em posição neutra antes". Por isso, a instituição diz que continuará dando preferência a "títulos de alta qualidade e liquidez" que, em sua avaliação, teriam bom desempenho "em qualquer cenário".

O BTG manteve o Brasil com classificação neutra na América Latina, ao lado da Colômbia. E apontou Peru, Chile e Argentina estão com recomendação overweight, que sinaliza que os analistas estão otimistas e recomendam comprar um pouco mais dos ativos desses países, enquanto o México aparece como underweight, com recomendação de venda.

Mas, mesmo com a cautela em relação ao resultado eleitoral, o Brasil foi o destaque da região nos últimos 30 dias, segundo o banco. O mercado brasileiro subiu 12% em dólar no período, ante alta de 3% do COLCAP, o principal índice acionário da bolsa colombiana, e de 2% do Merval, da Argentina.

A bolsa peruana ficou praticamente estável, enquanto Chile e México recuaram 1% e 2%, respectivamente.

As ações brasileiras escolhidas pelo BTG

[grifar]Na carteira de 16 ações recomendadas pelo BTG para a América Latina, sete são brasileiras: Itaú, Motiva, Axia Energia, Petrobras, Sabesp, Eneva e Embraer.

Entre elas, Embraer, Petrobras e Eneva têm os maiores pesos, de 10% cada, enquanto Axia aparece com 9%. Já Itaú e Sabesp têm peso de 7,5% cada, e Motiva, de 5%.

A Embraer também aparece como "capitã" da escalação elaborada pelo banco, que apresenta a carteira em formato de um time de futebol. A Petrobras e a Eneva completam o ataque, enquanto a Motiva e a Axia ficam no meio-campo.

O banco não apresenta essas escolhas como uma aposta sobre qual candidato vencerá a eleição. Ao contrário, a lógica declarada é justamente buscar empresas que não dependam de uma mudança específica no cenário fiscal para gerar retorno.

A recomendação também ajuda a explicar por que o BTG mantém o Brasil em posição neutra mesmo depois da forte valorização recente. Para o banco, o ambiente eleitoral mudou diversas vezes nos últimos dez meses e, nos meses mais recentes, a disputa ficou mais acirrada, movimento que foi acompanhado por uma reação positiva dos mercados.

"Podemos mudar nossa abordagem se houver motivos para isso, mas acreditamos que a classificação atual para o país (Neutra, com foco em qualidade e liquidez) seja a melhor maneira de lidar com o que está por vir", afirmou.

Eleven vê oportunidade além da Bolsa

A Eleven Financial também considera o cenário eleitoral incerto e avalia que a disputa pode ser decidida por poucos votos. Mas, em vez de concentrar a estratégia em ações capazes de atravessar diferentes resultados eleitorais, a casa identifica oportunidades em diferentes classes de ativos brasileiros, principalmente títulos públicos indexados à inflação e fundos imobiliários, além da Bolsa.

A casa avalia que a relação entre risco e retorno dos ativos brasileiros é atrativa, principalmente em NTN-Bs, os títulos da dívida pública emitidos pelo governo brasileiro que pagam a inflação oficial (IPCA) mais uma taxa de juros, e fundos imobiliários. A diferença está justamente no nível de risco atribuído a cada mercado.

Para a Eleven, a renda fixa apresenta menor risco, enquanto Bolsa e fundos imobiliários oferecem maior potencial de retorno. A casa considera que os ativos brasileiros continuam descontados e que uma melhora no cenário poderia provocar uma alta forte.

Nas NTN-Bs, a Eleven destaca especialmente os títulos com vencimento entre cinco e dez anos,como as NTN-Bs 2032 e 2035, que, segundo o relatório, pagam taxas ao redor de 7,5%. A vantagem apontada pela casa é a combinação entre taxas elevadas e proteção contra uma eventual alta inesperada da inflação.

A avaliação para os fundos imobiliários também é positiva. A Eleven afirma que o IFIX apresenta atualmente uma relação risco-retorno atrativa e destaca que os proventos estão em níveis recordes. Na avaliação da casa, uma eventual queda dos juros poderia levar investidores de volta para essa classe e contribuir para a recuperação dos preços.

Já a Bolsa aparece com uma combinação diferente de potencial elevado, mas também maior risco.

Bolsa passou de 'pânico' para 'euforia'

A Eleven chama atenção para a velocidade da recuperação do Ibovespa. Segundo o relatório, o índice subiu cerca de 5% em setembro e quase 15% desde a mínima de agosto. Ainda assim, a casa afirma que o Ibovespa continua negociando com uma relação preço/lucro baixa e que as expectativas de lucro permanecem relativamente estáveis, apesar dos resultados fracos do segundo trimestre.

Ao mesmo tempo, indicadores técnicos começaram a mostrar sinais de euforia. A leitura é que o mercado passou rapidamente de um estado de "pânico" para um estado de "euforia", mas que esses indicadores precisam ser interpretados à luz do calendário eleitoral. Para a casa, a continuidade da alta ou de uma eventual queda dependerá principalmente da evolução do cenário eleitoral.

O relatório também afirma que, apesar da valorização recente, os ativos brasileiros continuam descontados. A Eleven destaca que as taxas de juros e os proventos do IFIX estão próximos de máximas históricas e que o dividend yield do Ibovespa está acima da média histórica.

AutorClara Assunção
FonteExame
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