Quais ações são impulsionadas pelo ‘trade’ de Flávio Bolsonaro, segundo o Citi
O Citi avalia que a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial reforça a percepção de um cenário econômico mais amigável ao mercado, embora a definição da corrida presidencial ainda dependa do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro aparecia com 47,1% dos votos válidos, enquanto […]

O Citi avalia que a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial reforça a percepção de um cenário econômico mais amigável ao mercado, embora a definição da corrida presidencial ainda dependa do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro aparecia com 47,1% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva somava 45%. Apesar da vantagem, nenhum dos candidatos atingiu a maioria absoluta necessária para garantir a vitória já na primeira rodada.
Segundo os estrategistas do Citi, o resultado fortalece a expectativa de um arcabouço econômico mais orientado ao mercado, sustentado por maior disciplina fiscal, inflação mais controlada, incentivos à iniciativa privada e aumento da confiança dos investidores.
Na visão da instituição, esse cenário tende a favorecer os ativos de risco e contribuir para a redução dos prêmios exigidos pelos investidores para aplicar no Brasil.
Citi mantém preferência por ações de maior beta
Diante desse contexto, o Citi afirma continuar com preferência por ações de maior beta, ou seja, papéis que costumam reagir de forma mais intensa aos movimentos do mercado.
O banco avalia que essas empresas podem capturar melhor uma eventual melhora do apetite por risco e uma retomada mais forte da atividade nos mercados de capitais.
Entre as principais apostas estão a plataforma de investimentos XP (XP), a operadora da bolsa B3 (B3SA3) e o banco de investimentos BTG Pactual (BPAC11).
Na avaliação dos analistas, essas companhias estariam entre as maiores beneficiadas por um ambiente de maior confiança econômica, juros de longo prazo mais baixos e aumento do fluxo para produtos financeiros e mercado de capitais.
Veja todas as recomendações do Citi, em um cenário de vitória para Flávio:
| Empresa | Ticker | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|---|
| Cyrela | CYRE3 | Compra | R$ 32,00 |
| Multiplan | MULT3 | Compra | R$ 36,00 |
| XP Inc. | XP | Compra | US$ 23,00 |
| B3 | B3SA3 | Compra | R$ 20,00 |
| Sabesp | SBSP3 | Compra | R$ 32,50 |
| Assaí | ASAI3 | Neutro / Alto Risco | R$ 9,50 |
| CBR Brasil | CEAB3 | Compra / Alto Risco | R$ 16,00 |
| Hapvida | HAPV3 | Neutro / Alto Risco | R$ 11,00 |
| Petrobras | PETR4 | Neutro | R$ 47,00 |
| Vale | VALE3 | Compra | R$ 18,00 |
Brasil segue como mercado favorito na América Latina
O Citi ressalta que o Brasil já ocupa posição de destaque entre suas preferências para a América Latina e que um eventual governo visto como mais favorável ao mercado aumentaria ainda mais essa convicção.
Segundo o banco, um cenário de maior compromisso fiscal poderia contribuir para a queda dos prêmios de risco, redução das taxas de juros de longo prazo e condições mais favoráveis para a valorização da Bolsa brasileira.
Além disso, o resultado do primeiro turno coloca Flávio Bolsonaro como favorito para a disputa final. O Citi destaca que, desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou a primeira etapa da eleição presidencial na liderança acabou derrotado no segundo turno.
Incerteza ainda não desapareceu
Apesar da leitura positiva para os ativos brasileiros, os estrategistas fazem um alerta: a disputa segue apertada e a incerteza eleitoral deve continuar influenciando os mercados nas próximas semanas.
Por isso, o banco acredita que eventuais ganhos observados após o primeiro turno podem ser acompanhados de volatilidade, à medida que investidores monitoram pesquisas, alianças políticas e a migração dos votos dos candidatos eliminados.
Em outras palavras, embora o resultado tenha fortalecido a visão construtiva do Citi para o mercado brasileiro, a definição do cenário político e seus impactos para a economia ainda dependerão da decisão dos eleitores no segundo turno de 25 de outubro.
