Quais são as 10 maiores varejistas do Rio Grande do Sul? Maior fatura R$ 20 bilhões
Estado é o segundo do país em número de empresas no ranking das 300 maiores

O Rio Grande do Sul tem 29 empresas entre as 300 maiores do varejo brasileiro. É o que aponta o mais recente levantamento do IRTT, o Instituto Retail Think Tank, dos especialistas Alberto Serrentino e Eduardo Terra.
Só São Paulo tem mais.
Juntas, as 29 gaúchas somaram R$ 85 bilhões em vendas em 2025 — 6,4% do total movimentado pelas TOP 300. É um retrato que o próprio estudo aponta como característica estrutural do varejo brasileiro: baixo grau de concentração e forte atuação regional.
"O grande varejo vem mantendo crescimento acima da média do setor, ampliando base de lojas e mostrando resiliência em cenário desafiador", diz Alberto Serrentino, cofundador do IRTT e coordenador do estudo.
Metade das gaúchas da lista (15 de 29) atua em supermercados, hipermercados ou atacarejo. As farmácias vêm em seguida, com duas redes de peso.
As 10 maiores varejistas do Rio Grande do Sul
- Lojas Renner – R$ 20,2 bilhões
- Farmácia São João – R$ 9,3 bilhões
- Companhia Zaffari – R$ 8,8 bilhões
- Comercial Zaffari – R$ 6,8 bilhões
- Panvel Farmácias – R$ 5,9 bilhões
- Grupo Herval – R$ 3,3 bilhões
- Unidasul – R$ 3,1 bilhões
- Lojas Colombo – R$ 2,6 bilhões
- Rede iGUi – R$ 2,4 bilhões
- Quero Quero – R$ 2,2 bilhões
Como a Lojas Renner se tornou a maior varejista do Rio Grande do Sul
AsLojas Renner faturaram R$ 20,2 bilhões em 2025, alta de 10% sobre o ano anterior — acima da média de 8,6% das TOP 300. É a 12ª maior varejista do país e a maior do Sul.
O que separa a Renner das outras gaúchas da lista é a geografia. Enquanto a maioria das empresas do estado opera em um ou dois estados, a Renner está nos 27, com 717 lojas. É uma das 38 redes brasileiras presentes em todas as unidades da federação, segundo o IRTT.
A companhia lidera o segmento de Moda, Calçados e Artigos Esportivos, que responde por 7,8% das vendas das 300 maiores — o terceiro maior setor do ranking, atrás de supermercados e farmácias.
O nome Renner é mais velho que a rede de lojas.
A A. J. Renner & Cia foi criada em 2 de fevereiro de 1912, num galpão de madeira que antes servia de pouso de tropeiros, com 54 contos de réis de capital. Antônio Jacob Renner assumiu a direção depois de o primeiro ano ter consumido o capital inicial e desanimado os outros sócios.
Em 1917, a fábrica mudou em definitivo para Porto Alegre, no bairro Navegantes. Na década de 1920, virou a maior indústria de fiação e tecelagem do estado.
O varejo veio depois. Em 1922, a empresa abriu na capital gaúcha seu primeiro ponto de venda, para escoar artigos têxteis da própria fábrica: capas de pura lã e o vestuário masculino conhecido como Capa Ideal. A partir de 1940, com um mix maior de produtos, o ponto de venda virou loja de departamentos. Só em 1965 houve a constituição da Lojas Renner S.A., e em 1967 a companhia abriu capital.
A decisão que separa a rede atual da anterior é de 1991.
Naquele ano, a companhia passou por uma reestruturação completa e profissionalizou a gestão. O modelo de loja de departamentos completa foi substituído pelo de loja de departamentos com especialização em moda. A troca reduziu o número de categorias na prateleira e concentrou o negócio num público específico. A expansão para fora do Rio Grande do Sul começou em 1994, com Santa Catarina, seguida pelo Paraná em 1996 e por São Paulo em 1997.
O controle mudou de mãos duas vezes em sete anos. No fim de 1998, a J.C. Penney, uma das maiores redes de loja de departamentos dos Estados Unidos na época, assumiu o controle acionário. Em 2003, a Renner deixou de vender utensílios domésticos, decoração e cama, mesa e banho, e ficou apenas com vestuário e acessórios. Em 2005, a J.C. Penney vendeu todas as ações na Bolsa e a companhia ficou sem acionista controlador, com 100% dos papéis em circulação — a primeira corporation do Brasil, empresa de capital pulverizado, sem dono definido.
No mesmo dia, entrou no Novo Mercado, o segmento da B3 com as regras mais rígidas de governança.
Sem controlador, a empresa passou a comprar. Em 2011, adquiriu a Camicado, rede de utilidades domésticas, por 165 milhões de reais. Lançou a Youcom, voltada ao público jovem, em 2013, e a Ashua, de moda plus size, em 2016. Em 2017, criou a Realize CFI, instituição financeira 100% controlada pela companhia, e abriu as primeiras lojas fora do país, em Montevidéu. A Argentina veio em 2019, com quatro lojas. Em 2021, comprou o Repassa, plataforma de revenda de roupas usadas, e em 2022 a Uello, empresa de entregas de última milha, o trecho final do percurso entre o centro de distribuição e a casa do cliente.
