Quando a Starliner voltará ao espaço? Nasa prevê novo teste e missão tripulada em 2028
Nave da Boeing voltará ao espaço sem tripulação e terá de superar problemas nos propulsores antes de transportar astronautas novamente

A Nasa apresentou um novo plano para tentar colocar a Starliner, da Boeing, em operação regular após os problemas registrados no primeiro teste tripulado da cápsula, em 2024. Antes de voltar a transportar astronautas, a espaçonave terá de passar por modificações e realizar uma nova missão sem tripulação.
O próximo voo está previsto para ocorrer não antes de dezembro, segundo o administrador da Nasa, Jared Isaacman, em comunicado divulgado pela agência na última segunda-feira, 28. Caso o teste seja bem-sucedido, uma nova missão tripulada poderá acontecer apenas em meados de 2028.O plano busca recuperar um programa que acumula mais de uma década de desenvolvimento e ganhou atenção após problemas técnicos prolongarem inesperadamente a permanência dos astronautas Suni Williams e Butch Wilmore no espaço.
Starliner terá mudanças antes de levar astronautas
Um dos principais pontos do novo plano envolve o sistema de propulsão da Starliner. Segundo Isaacman, alguns propulsores precisarão passar por modificações de projeto antes que a Nasa autorize a retomada dos voos tripulados. A cápsula também precisará de um novo foguete para chegar à órbita.
Os foguetes Atlas, utilizados anteriormente para lançar a Starliner, serão aposentados. Por isso, Nasa, Boeing e United Launch Alliance trabalham na certificação doVulcan Centaur para missões com astronautas.
A agência prevê gastar mais US$ 359 milhões com melhorias na Starliner e com o processo de certificação do Vulcan.
Nasa busca alternativa à Crew Dragon
Atualmente, a Crew Dragon, da SpaceX, é o único veículo operacional dos Estados Unidos capaz de transportar astronautas de ida e volta à Estação Espacial Internacional (ISS).
A Nasa adquiriu recentemente mais três missões da empresa por US$ 946 milhões. A agência, porém, pretende manter outra opção disponível para chegar à órbita terrestre baixa.
Segundo Isaacman, o histórico de investimentos na Starliner e o desenvolvimento já realizado fazem com que a Nasa considere a cápsula uma alternativa para preservar esse acesso.
A questão ganha importância porque a SpaceX pretende concentrar seus esforços futuros na Starship. A presidente e diretora de operações da empresa, Gwynne Shotwell, já afirmou que espera o encerramento das operações daDragon em algum momento da década de 2030.
A ISS também se aproxima dos últimos anos de operação e deverá ser desativada no início da próxima década.
O que aconteceu com a Starliner em 2024
A primeira missão tripulada da Starliner decolou em junho de 2024, com os astronautas Suni Williams e Butch Wilmore. O plano inicial previa que eles permanecessem cerca de uma semana na ISS antes de retornarem à Terra na própria cápsula.
Durante a viagem até a estação, porém, a Starliner apresentou vazamentos de hélio e falhas nos propulsores. As incertezas sobre o funcionamento do veículo levaram a Nasa a decidir que Williams e Wilmore não retornariam nele.
Os dois permaneceram na estação e foram incorporados à rotação seguinte de astronautas. Eles voltaram à Terra em uma cápsula da SpaceX depois de passar mais de nove meses no espaço.
Nasa classificou missão como acidente 'Tipo A'
Mais recentemente, a Nasa classificou o voo de teste da Starliner como um “acidente do Tipo A”. A classificação é utilizada pela agência para incidentes que envolvem critérios como mais de US$ 2 milhões em danos, perda de controle ou destruição de um veículo ou perda de vidas.
Os acidentes dos ônibus espaciais Challenger e Columbia também receberam a classificação Tipo A. Isso não significa, porém, que os episódios tenham tido as mesmas consequências: nos dois desastres com ônibus espaciais houve mortes, enquanto os astronautas da Starliner retornaram à Terra. Durante o voo de 2024, Nasa e Boeing afirmaram que a vida dos astronautas não esteve em perigo.
Novo comandante aponta falhas anteriores
Woody Hoburg, escolhido para comandar a próxima missão tripulada, afirmou que sua principal preocupação não está apenas nos componentes que apresentaram problemas. Segundo o astronauta, houve falhas de engenharia e integração de sistemas que deixaram lacunas na qualificação do hardware.
Hoburg afirmou ainda que os propulsores foram danificados antes mesmo do lançamento e que o problema deveria ter sido identificado antes de a Starliner chegar à plataforma.
Agora, o próximo teste sem tripulação será uma etapa decisiva para determinar quando a cápsula poderá voltar a transportar astronautas.
