Quando Trump vai reconhecer reeleição de Lula? Casa Branca segue em silêncio sobre vitória
Não há protocolo ou regra sobre manifestação; avaliação de fontes é a de que reconhecimento pode levar dias, mas vai acontecer

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Quase 24 horas após a confirmação da reeleição de Lula para o quarto mandato, o governo dos Estados Unidos ainda não havia reconhecido a vitória do candidato do PT. A demora da Casa Branca ocorre em meio a tensões diplomáticas, enquanto líderes das Américas, inclusive aliados de Donald Trump, já parabenizaram o presidente brasileiro.
Quase 24 horas depois da confirmação da vitória de Lula para o quarto mandato na eleição presidencial do Brasil, o governo dos Estados Unidos segue em silêncio sobre a reeleição do candidato do PT. Líderes internacionais dos mais variados espectros políticos e países já se pronunciaram nas redes sociais parabenizando o presidente brasileiro.
Não há um protocolo que dita quando a Casa Branca precisa se manifestar sobre a vitória de um candidato estrangeiro. O reconhecimento, normalmente, parte do Departamento de Estado ou do próprio presidente por meio de uma nota ou declaração à imprensa, depois que os resultados são oficialmente publicados pela autoridade competente (o TSE, no caso do Brasil).
Também não existe um prazo obrigatório estabelecido pelo direito internacional ou alguma convenção específica, trata-se de um ato político. Mesmo assim, a decisão de atrasar ou negar o reconhecimento pode gerar desgastes nas relações diplomáticas bilaterais.
A demora em reconhecer o resultado acontece em um momento delicado na relação entre Brasil e Estados Unidos. Em agosto, os americanos anunciaram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington após o Itamaraty não conceder o aval diplomático para indicado de Trump à embaixada em Brasília, Daniel Perez.
Além disso, Trump aplicou tarifas contra produtos brasileiros em um movimento que foi denunciado como político.
Os presidentes Donald Trump e Lula, durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026 (Ricardo Stuckert/Flickr)
Reconhecimento na região
O resultado eleitoral no Brasil foi reconhecido por grande parte dos líderes das Américas. Em questão de horas após a reeleição de Lula ser confirmada, líderes do Canadá ao Uruguai publicaram mensagens nas redes sociais parabenizando o candidato do PT pela vitória no Brasil.
As manifestações incluíram líderes que são da direita e que são alinhados a Donald Trump. Entre eles, Keiko Fujimori, do Peru, José Antonio Kast, do Chile, Rodrigo Paz, da Bolívia, e Santiago Peña, do Paraguai. Esses países, inclusive, fazem parte do chamado Escudo das Américas, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos para o combate ao narcotráfico na região.
O presidente da Argentina, Javier Milei, segue em silêncio sobre a vitória de Lula, até a última atualização desta reportagem.
Uma análise publicada nesta segunda-feira, 26, pela Chatham House, um dos mais importantes think tanks de política internacional do mundo, afirma que a "solidariedade regional da América Latina e o respeito às instituições democráticas se sobrepuseram à ideologia e ao alinhamento com os Estados Unidos".
Brian Winter, vice-presidente de políticas da Americas Society/Council of the Americas, disse que "Trump é imprevisível, mas o reconhecimento de outros governos de direita, aliados do Trump, certamente ajuda", ao ser perguntado sobre a demora no reconhecimento do resultado.
A analista Julia Thomson, do Eurasia Group, a maior consultoria de risco político do mundo afirma que a Casa Branca aguarda os próximos movimentos no Brasil, principalmente sobre se haverá manifestações ou protestos sobre a derrota de Flávio Bolsonaro. "Pode levar dias, mas eventualmente eles vão aceitar os resultados. Há grupos diferentes em Washington defendendo posições diferentes", afirmou ela.
Sobre Milei, Julia disse que o presidente argentino "fica mais propenso a reconhecer se Trump reconhecer também". Ela também afirma que a demora da Casa Branca pode pausar algumas pautas bilaterais e dificultar a aprovação do embaixador Daniel Perez, em Brasília, por exemplo. "Mas não deve afetar fluxos de investimentos. O Brasil continua atrativo e importante para investidores".
