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CiênciaCMDT
20/07/2026
4 min

Quantas xícaras de café por dia fazem bem ao coração? Nova revisão traz a resposta

Quantas xícaras de café por dia fazem bem ao coração? Nova revisão traz a resposta

Beber café diariamente pode fazer parte de um estilo de vida saudável e ainda ajudar a proteger o coração. Essa é a principal conclusão de uma nova declaração científica da Associação Americana do Coração (AHA), que revisou as evidências mais recentes sobre os efeitos da bebida e da cafeína na saúde cardiovascular.

O documento, publicado nesta segunda-feira, 20, na revista científica Circulation, reúne dezenas de estudos conduzidos por especialistas das instituições Harvard T.H. Chan School of Public Health e a Universidade George Washington. A revisão aponta que ingerir café de forma moderada é seguro para a maioria dos adultos e está associado a uma menor incidência de doenças cardiovasculares.

Quantas xícaras de café fazem bem ao coração?

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Segundo a declaração, consumir entre três e cinco xícaras de 240 ml por dia está associado a menor risco de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), fibrilação atrial, hipertensão e diabetes tipo 2.

Embora esse intervalo seja considerado seguro para a maior parte da população, os autores observam que os resultados mais favoráveis costumam aparecer entre duas e quatro xícaras diárias, quantidade suficiente para produzir efeitos biológicos sem atingir níveis elevados de cafeína.

A resposta aocafé, porém, não é igual para todos. Características genéticas influenciam a velocidade com que a cafeínaé metabolizada, tornando algumas pessoas mais sensíveis aos seus efeitos do que outras.

Os efeitos positivos vão além da cafeína

Além disso, os autores destacam que os resultados observados não podem ser atribuídos apenas à cafeína. O café reúne diversos compostos bioativos, como polifenóis, ácidos clorogênicos, trigonelina e melanoidinas, que apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Essas substâncias podem favorecer a saúde dos vasos sanguíneos, reduzir processos inflamatórios e melhorar o metabolismo da glicose. Essa combinação também ajuda a explicar por que alguns estudos identificaram efeitos semelhantes entre consumidores de café descafeinado.

A cafeína, por sua vez, parece atuar por diferentes mecanismos. Além de aumentar o estado de alerta, ela pode estimular a prática de atividade física, exercer efeito diurético e bloquear substâncias envolvidas no desenvolvimento da fibrilação atrial, um tipo de arritmia associado ao aumento do risco de AVC.

O modo de preparo também influencia

A forma de preparar a bebida pode alterar seus efeitos sobre a saúde cardiovascular. Métodos sem filtragem, como French press, café turco, café fervido escandinavo e, em menor proporção, o espresso, preservam maiores quantidades de cafestol, composto capaz de elevar os níveis decolesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim".

Já o café preparado com filtro de papel e o café solúvel praticamente eliminam essa substância e não apresentaram esse efeito nas pesquisas avaliadas.

Os especialistas também chamam atenção para os ingredientes adicionados à bebida. Grandes quantidades deaçúcar, xaropes e cremes ricos em gordura saturada podem reduzir ou até neutralizar parte dos efeitos favoráveis observados.

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Energéticos exigem mais cautela

Enquanto o consumo moderado de café foi considerado seguro para a maioria dos adultos, a AHA faz uma ressalva em relação às bebidas energéticas e a produtos com altas concentrações de cafeína. Segundo o documento, essas fontes costumam fornecer doses muito superiores às encontradas no café e já foram associadas ao aumento dapressão arterial, alterações no ritmo cardíaco e, em situações extremas, episódios graves, como fibrilação ventricular e morte súbita.

Os autores reforçam, portanto, que os resultados observados para o café não devem ser extrapolados para energéticos, suplementos ou outras formas concentradas de cafeína.

Apesar do avanço das evidências, a associação destaca que ainda são necessários novos ensaios clínicos para esclarecer o papel de cada composto presente na bebida e compreender por que seus efeitos variam entre diferentes indivíduos.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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