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Sacre Investimentos
InvestMercados
18/08/2026
4 min

Quanto eu teria se tivesse investido R$ 10 mil na Casas Bahia há 5 anos?

Companhia protocolou um pedido de recuperação judicial, com uma dívida de R$ 17,3 bilhões

Quanto eu teria se tivesse investido R$ 10 mil na Casas Bahia há 5 anos?

As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) despencaram 33,33% na segunda-feira, 17, levando o papel a R$ 0,44 após a companhia protocolar com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, e entrou com o pedido de RJ devido a uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

Os papéis, que chegaram a valer R$ 443,81, agora valem centavos. Para quem apostou na alta de BHIA3, levou um grande prejuízo. Se um investidor tivesse aplicado R$ 10 mil em ações da Casas Bahia há cinco anos, o investimento teria se transformado em aproximadamente R$ 17, considerando o retorno acumulado negativo de 99,83% no período. O levantamento é da Economatica a pedido da EXAME.

Em prazos maiores, a perda teria sido levemente menor. Um investimento de R$ 10 mil feito há 10 anos teria chegado a aproximadamente R$ 58, considerando o retorno acumulado de -99,42%. Já quem tivesse investido R$ 10 mil15 anos teria hoje apenas R$ 35, com uma desvalorização acumulada de 99,65%.

No período de três anos, o resultado também teria sido negativo: os mesmos R$ 10 mil teriam se transformado em aproximadamente R$ 105, considerando uma queda acumulada de 98,95%. Em um horizonte mais curto, porém, a perda foi menor. No último ano, R$ 10 mil investidos nas ações da Casas Bahia teriam chegado a cerca de R$ 1.544, com uma desvalorização acumulada de 84,56%.

O levantamento considera a valorização dos papéis, os dividendos e demais proventos distribuídos pela companhia no período, mas sem o reinvestimento desses valores.

Para quem tem os papéis, o que fazer?

Segundo Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, para quem tem ações da Casas Bahia na carteira, o momento exige realismo e disciplina. “Quem carrega o papel precisa avaliar se consegue conviver com volatilidade extrema e possível diluição futura no capital”, avalia. Os acionistas, no caso, são os últimos da fila para receberem algo.

“Na ordem de pagamentos, primeiro vem o trabalhista, depois garantia real, quirográfico e assim por diante. Fica para o acionista o que sobrar de fato. Com patrimônio negativo em R$ 8 bilhões, matematicamente sobra pouco ou nada”, afirma Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos.

Em sua visão, lembra o caso da Americanas. “Quem era sócio antes da RJ acabou praticamente zerado nessa conversão de dívida em ação. A empresa sobreviveu. O acionista antigo não”, pontua Trotta.

Em 2024, a Casas Bahia tentou uma recuperação extrajudicial, o que mostra que as medidas anteriores não foram suficientes, já que partiu agora para a recuperação judicial. Por isso, manter a posição só faz sentido se o investidor tiver horizonte muito longo, tolerância a perdas adicionais e convicção de que a operação enxuta (com fechamento de quase 300 lojas e demissões) consegue gerar caixa de forma consistente.

“Caso contrário, a redução gradual da exposição ou a saída completa costuma ser a decisão mais prudente para preservar capital”, afirma Uarian.

Seria uma oportunidade para compra?

Em casos de empresas em dificuldades financeiras, é comum que investidores sejam atraídos pela possibilidade de encontrar uma ação capaz de multiplicar o capital muitas vezes. Para Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, porém, essa estratégia tende a apresentar resultado negativo quando analisada de forma ampla.

“Muitos investidores procuram esse tipo de empresa achando que estão comprando o bilhete de loteria, comprar uma ação para tentar fazer 100 vezes o capital”, afirma. O problema, segundo ele, é que os casos de forte valorização são exceções, enquanto as perdas nas empresas que não conseguem se recuperar podem ser muito maiores.

A lógica aparece em histórias de possíveis turnarounds envolvendo companhias como Gol, Azul, IRB e Oi. São empresas que atraíram investidores de varejo interessados na possibilidade de uma recuperação e, consequentemente, de uma multiplicação do capital. Na avaliação de Passero, esse comportamento transforma o investimento em uma espécie de aposta de bolsa.

“Para cada caso que você acerta, você perde muito mais. São muitos mais casos de perda de dinheiro”, diz.

O ponto, explica, é que a chamada esperança matemática dessa estratégia tende a ser negativa: mesmo que algumas apostas sejam vencedoras e entreguem retornos extraordinários, elas não seriam suficientes para compensar as perdas acumuladas nas empresas que fracassam.

Por isso, Passero recomenda olhar para o conjunto das empresas em dificuldades, e não apenas para os poucos exemplos de sucesso. Uma forma de testar a estratégia seria simular a aplicação do mesmo valor em diferentes companhias que passaram por problemas financeiros e acompanhar o desempenho da carteira ao longo do tempo.

“Investir não é aposta”, afirma. Para ele, apostar sistematicamente em empresas em dificuldades tende a destruir dinheiro no longo prazo.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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