Quase todo o crédito do agro vai para a expansão de terras, aponta estudo

Segundo o levantamento interno da corretora Friggi & Secco, o agro brasileiro usa praticamente todo o crédito na aquisição de mais terras. Foram entrevistados 29 pecuaristas e 75 agricultores. 92,8% deles concordam com essa realidade.
“Existe uma leitura equivocada de que o crédito no agro está sempre associado a custeio, compra de sementes, plantio ou maquinário. Isso existe, claro, mas o que vemos na prática é um produtor que já sabe produzir, que já domina a operação e que busca ampliar escala”, analisa Alberto Ferreira Friggi, CEO da corretora.
O resultado pode ser observado nos dados mais recentes do agronegócio:
- A Conab projeta uma nova safra recorde de grãos, com 358,6 milhões de toneladas em 2025/26.
- O Valor Bruto da Produção Agropecuária alcançou R$ 1,4 trilhão em maio.
- As exportações do setor somaram US$ 38,1 bilhões apenas no primeiro trimestre, o maior valor da série histórica para o período.
Por que o uso para expansão?
“Quando 92,8% das operações estão ligadas à expansão de terras, o mercado está dizendo que o crédito virou uma estratégia de crescimento, não apenas de sobrevivência”, detalha Alberto.
Segundo ele, mesmo em ciclos de margem mais apertada, os produtores mais estruturados continuam olhando para a terra como ativo produtivo, reserva de valor e forma de capturar ganhos futuros em um setor que segue batendo recordes de produção e exportação.
“Nos últimos anos, a tecnologia elevou muito a produtividade no campo, mas a expansão de terras continua sendo uma das formas mais claras de aumentar capacidade, diversificar risco e preparar a operação para ciclos maiores”, conclui.
